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Durão Barroso: "Limbo político em Portugal não facilita vida ao país"

A ausência de um governo com plenos poderes complica os esforços de redução do défice de Portugal e evita que se peça ajuda financeira, disse hoje o presidente da Comissão Europeia.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 05 de Abril de 2011 às 13:40
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“A crise política em Portugal não facilitou a vida ao país. Portugal já estava numa situação difícil”, comentou Durão Barroso no Parlamento Europeu, citado pela Bloomberg.

Estas declarações foram proferidas em mais um dia de corte de “rating” da dívida soberana portuguesa, desta vez por parte da Moody’s, numa altura em que se multiplicam as previsões de que será preciso Portugal pedir ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e numa sessão em que os juros da dívida pública a cinco anos superaram os 10%.

“Nós, na Comissão, devemos respeitar a democracia nacional e as decisões tomadas pelos parlamentos nacionais. Esperamos que Portugal apresente uma melhor solução e a Comissão tentará ajudar o país a encontrar as soluções mais adequadas – e isto no quadro dos compromissos apresentados por Portugal”, sublinhou Durão Barroso.

Questionado sobre se uma primeira ajuda pode ser concedida a título intercalar, de emergência, Durão Barroso disse não ter ouvido falar de tal cenário, lembrando que o instrumento que a União Europeia possui actualmente é o FEEF, refere a Lusa. “Não sei do que estão a falar”, afirmou, citado pela Lusa, quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de ser concedida uma ajuda intercalar a Portugal - um cenário que, conforme noticia hoje o Negócios, é defendido pelos líderes dos principais bancos portugueses, que decidiram também não emprestar mais dinheiro ao Estado.

Recorrer ao mecanismo de ajuda tem custos

Recorde-se que, no mês passado, o presidente da CE disse no Parlamento Europeu que qualquer pedido de ajuda financeira tem de ser encarado como de “último recurso”. “Se um país puder evitar recorrer a esse mecanismo, deve fazê-lo, pois o mecanismo tem custos. E não são apenas custos a nível de reputação”, advertiu nessa altura.

Hoje, a Comissão Europeia negou a notícia avançada pelo jornal “Público”, que dizia que estava a ser estudado um empréstimo de curto prazo de Bruxelas a Portugal, para garantir o cumprimento dos reembolsos da dívida.

“Não temos a capacidade para decidir sobre um empréstimo de curto prazo como foi sugerido por essas fontes não identificadas”, comentou Amadeu Altafaj, porta-voz da CE, num e-mail enviado à Bloomberg.

Recorde-se que ontem, em entrevista ao Jornal Nacional da TVI, o presidente do BCP disse que é indispensável que o País peça ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) quando estiver formado o novo governo. Enquanto isso, deve solicitar já o apoio intercalar.

“Recentemente, muita coisa se alterou. A cimeira de Bruxelas ficou aquém do resultado que prevíamos. O défice ficou acima do expectável e o PEC IV foi rejeitado. Tudo visto, acho que é indispensável que Portugal peça, neste momento, apio intercalar à Comissão Europeia”, sublinhou Carlos Santos Ferreira.

Pouco depois, numa entrevista à RTP, o primeiro-ministro José Sócrates afirmou que tem um compromisso com Portugal e que rejeita ajuda externa.

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