Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Eduardo Catroga: “Esta proposta de solução governativa pretende criar um remendo, mas o mal está feito”

Depois da “birra política” da semana passada, “todas as dúvidas são legítimas”, mas “acreditar que os políticos da coligação vão tomar juízo” é preferível a um cenário de eleições antecipadas.

Pedro Elias/Jornal de Negócios
Rita Dias Baltazar rbaltazar@negocios.pt 09 de Julho de 2013 às 13:05
  • Assine já 1€/1 mês
  • 14
  • ...

Eduardo Catroga afirmou, em entrevista à SIC Notícias, que depois da “birra política” da última semana “todas as dúvidas são legítimas”. O antigo ministro da Economia considera que o Governo devia “apresentar uma moção de confiança” e lembrou que no quadro constitucional português a validade governativa depende da Assembleia da República.

 

“Acreditar que os políticos da coligação vão tomar juízo e que vão criar uma solução de estabilidade governativa”, será a melhor opção segundo Eduardo Catroga. No entanto, “ninguém pode garantir que novas birras políticas não venham a existir”. Sobre este tema, o gestor que liderou pelo PSD as negociações com a troika na elaboração do memorando de entendimento, afirmou ainda que “esta proposta de solução governativa pretende criar um remendo, mas o mal está feito”.

 

O “maior problema” terá sido a ausência de diálogo construtivo entre o primeiro-pinistro e o líder do parceiro da coligação que “não souberam dirimir as divergências” em privado, explicou o economista. “ É natural que existam tensões numa coligação”, disse Catroga, “o que não é vulgar é o ministro de Estado e Negócios Estrangeiros fazer um comunicado a dizer que se demite” surpreendendo o Chefe de Estado e o líder do Executivo.

 

Sobre um possível cenário de eleições antecipadas, Eduardo Catroga refere que mercados, parceiros e credores “já demonstraram pelas reacções da última semana o que isso representaria para Portugal”. Na opinião do social-democrata, esta possibilidade acarretaria “uma perda de toda a credibilidade conquistada” nos últimos dois anos.

 

Catroga afirmou que a solução que Aníbal Cavaco Silva vier a validar tem de garantir a estabilidade governativa até ao final da intervenção da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional). E lembrou que a estabilidade governativa “é um elemento fundamental da percepção dos mercados, dos financiadores e dos nossos parceiros”.

 

Na opinião do antigo ministro de Cavaco Silva, o programa de intervenção externa devia ter sido renegociado com os credores internacionais por Vítor Gaspar, depois do antigo ministro das Finanças ter reconquistado a “credibilidade”. O “grande teste do novo governo” será, aliás, retomar essa “credibilidade externa” que foi interrompida pelos acontecimentos da última semana.

 

Das medidas a serem adoptadas, o social-democrata considerou que “o corte na despesa pública é uma condição fundamental para garantir condições de sustentabilidade da dívida pública”. Sem isto, “não há crescimento económico sustentado, assegurou. A redução de impostos sobre as empresas e sobre as famílias é também necessária, segundo Catroga. “Deve utilizar-se qualquer margem adicional que a União Europeia nos dê para não fazer o processo de redução da despesa, mas para reduzir impostos", concluiu.

 

Ver comentários
Saber mais Eduardo Catroga crise política
Mais lidas
Outras Notícias