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“Erna de Ferro” ganha eleições na Noruega. Mas petróleo ainda impede coligação

O primeiro-ministro que ficou conhecido em Portugal por ser condutor de táxi na campanha eleitoral é o grande derrotado do sufrágio norueguês desta segunda-feira. A coligação liderada pelos conservadores é a vencedora. É ainda preciso chegar a acordo entre os partidos. O petróleo é um dos pontos de discórdia.

Reuters
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 10 de Setembro de 2013 às 12:23
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A Noruega já foi a votos e já fez a sua escolha eleitoral. Tal como esperado, a coligação de centro-direita, liderada pelos conservadores, foi a grande vencedora da noite eleitoral nesta nação escandinava com mais de 5 milhões de habitantes. Ganhou a oposição. Chega ao fim o governo de oito anos de centro-esquerda. O novo Executivo ainda não está formado e nem tudo parece fácil.

 

Erna Solberg, que está à frente do partido dos Conservadores, tem de unir as várias forças da coligação para conseguir assumir o mandato de primeira-ministra. Os quatro partidos da coligação (Conservadores, Partido do Progresso, Liberal e Democratas Cristãos) conquistaram 96 assentos parlamentares de um total de 169, de acordo com a contagem de votos citada pela agência Bloomberg. São precisos 85 assentos para a maioria absoluta.

 

O partido do governo, com a chefia de Jens Stoltenberg, o primeiro-ministro que ficou conhecido em Portugal por conduzir um táxi na campanha eleitoral, foi, em termos individuais, o mais votado, conseguindo 55 assentos. Contudo, a coligação de três partidos, que integra, só conseguir eleger 72 deputados, o que fica aquém da maioria alcançada pela força liderada por Solberg. Chega ao fim o governo de oito anos de Stoltenberg.

 

O que prometem os conservadores

 

Neste momento, a economia escandinava, entendida como refúgio na altura da turbulência financeira da Zona Euro, é vista agora como estando a perder gás. O primeiro-ministro terá perdido votos por não ter conseguido aproveitar o facto de escapar à crise financeira na união monetária, de que não faz parte.

 

Para ultrapassar esse momento, os Conservadores propõem o corte de impostos e mais investimento em infra-estruturas. Além disso, pretendem reestruturar o fundo soberano norueguês.

 

Solberg pretende, ainda, diversificar a economia, afastando-a do petróleo. As privatizações também estão na ordem do dia, conforme contam as agências de informação internacionais.

 

A difícil coligação

 

Estas posições políticas terão de ser negociadas com mais três partidos. A chamada “Erna de Ferro”, nome dado como referência a Margaret Thatcher, pelo seu papel enquanto ministra do Desenvolvimento Regional entre 2001 e 2005, já avisou que as negociações para formar um novo governo não vão começar para já, apenas dentro de alguns dias.

 

“[Os partidos] têm desafios enormes no que diz respeito a acordos a nível de políticas”, disse à Bloomberg Johannes Bergh, politólogo de Oslo. A questão é que, segundo o analista, o grande desejo de ter um novo governo forte, que impeça uma aterragem da economia, poderá levar os partidos a alterar as suas posições políticas.

 

“Claro que vamos ter questões difíceis. Mas cooperámos de forma positiva nos últimos quatro anos no parlamento. Esperamos que os quatro partidos formem parte do governo”, comentou ao “Financial Times” o número dois dos Conservadores, Jan Tore Sanner.

 

Entre os pontos de discórdia está o petróleo, nomeadamente entre os Conservadores e o Partido do Progresso, ligado à direita e a políticas anti-imigração. Os primeiros precisam dos segundos para manterem a maioria absoluta conseguida nas eleições.

 

Ambos pretendem alterações no que diz respeito ao fundo petrolífero mas, como explica a Reuters, não há um acordo em pontos específicos. Em destaque está, sobretudo, o facto de o Partido do Progresso pretender aumentar os gastos com o dinheiro alcançado com o petróleo. Os Conservadores não vão tão longe – os gastos terão de ser mais baixos.

 

O partido de Solberg tem como objectivo manter a regra de se poder gastar apenas 4% do valor do fundo petrolífero num ano. O Partido do Progresso, com a líder Siv Jensen à cabeça, pretende rejeitar esta regra. É a primeira vez que esta força política pode chegar ao poder desde a sua criação, em 1973, de acordo com a Bloomberg.

 

Segunda primeira-ministra

 

Segundo a Reuters, se conseguir um acordo para formar governo e ficar à frente do mesmo, Solberg será a segunda primeira-ministra na Noruega. A primeira foi Gro Harlem Brundtland, actualmente ligada à Organização das Nações Unidas e que esteve à frente do país em vários mandatos nas duas últimas décadas do século XX.

 

A política, de 52 anos, deverá dar aos Conservadores o cargo de primeiro-ministro, o que não acontece desde 1990.

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