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Espanha: Podemos quer vice-presidência; PSOE propõe oito pactos e diz que este "é o dia de Rajoy"

As consultas do Rei aos partidos terminam esta tarde com Mariano Rajoy. A manhã foi marcada pela proposta surpresa do Podemos - que quer ser número dois de um Governo liderado pelo PSOE. Sánchez não quer "atalhos".

Reuters
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 22 de Janeiro de 2016 às 14:28
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O Rei de Espanha encerra na tarde desta sexta-feira, 22 de Janeiro, a ronda de consultas às forças políticas com vista à formação do próximo Executivo. Horas depois, espera-se que indigite Mariano Rajoy para tentar formar governo, após a incerteza criada pelos resultados das eleições de 20 de Dezembro.

Às 16:00 (17:00) em Madrid, Filipe VI recebe o líder do PP, partido mais votado nas eleições gerais, depois de a manhã ter ficado marcada pela proposta surpresa de Pablo Iglesias de assumir a vice-presidência de um Governo PSOE e de os socialistas terem defendido oito pactos de regime para formar um Governo alternativo.

O líder do Podemos, que antecedeu o socialista Pedro Sánchez na audiência com o Rei no Palácio da Zarzuela, disse ter-se disponibilizado perante Filipe VI para, como número dois do Executivo, governar ao lado dos socialistas do PSOE e da Izquierda Unida. 

"Decidimos tomar a iniciativa e dar o passo em frente. Este não é o momento para meias-tintas. Ou se está pela mudança ou pelo imobilismo e pelo bloqueio", defendeu Iglesias depois da audiência com o monarca. Um recuo em relação ao que tinha dito em Julho, quando garantira que só governaria sozinho.

E deixou logo a sua ideia de que a composição do executivo deveria ser, em termos de número de membros, proporcional aos resultados das eleições, acenando com um "governo paritário se o PSOE quiser". Propôs sentar-se com Sánchez para desenhar um programa para os primeiros 100 dias de Governo, que passa por travar os despejos e atacar o desemprego, bem como iniciar a reforma do sistema eleitoral.

Os socialistas começaram por reagir com "surpresa" e "estupefacção" à ideia de Iglesias, argumentando que desconheciam a proposta. O próprio líder do Podemos assumiu que quis que fosse Filipe VI o primeiro a saber da solução.

"Fui informado pelo Rei sobre a proposta de Iglesias. Entrei sem governo e parece que já tenho todos os ministros nomeados", ironizou mais tarde Pedro Sánchez, o líder socialista. Mas alertou: "Temos de ser cuidadosos com os tempos, na democracia não há atalhos", para depois reconhecer que "os eleitores do Podemos e do PSOE não entenderiam que nós e o Podemos não nos acordássemos".

Sánchez disse que depois das eleições será necessário muito mais diálogo e capacidade de acordo e negociação que está disposto "a estender a mão à direita e à esquerda para ultrapassar esta situação". Mas sublinhou por várias vezes aos jornalistas: "Hoje tem a palavra o senhor Rajoy", o líder popular que tem a "obrigação" de se apresentar à investidura no Congresso dos Deputados, onde o PSOE promete chumbar a solução popular.

 

Caso Rajoy não consiga formar governo, o PSOE garante que responderá à responsabilidade de articular um governo. E para isso elencou oito pactos de regime que passam pela recuperação económica justa (emprego, novo sistema fiscal), um pacto educativo pela ciência e cultura, a reconstrução do estado de bem-estar recuperando a universalidade da saúde pública, a reconstrução do Pacto de Toledo (para garantir pensões nas próximas décadas), regenerar a vida política do país, um pacto contra violência de género, um grande acordo com todos para que Espanha recupere o papel na construção europeia e a reforma constitucional.

Se Rajoy for indigitado e não conseguir formar Governo, o Rei pode iniciar nova ronda de consultas para escolher o líder com melhores condições. Se no prazo de dois meses não for encontrada solução governativa, o congresso pede a dissolução do parlamento.

O PP ganhou as eleições sem maioria absoluta, com 123 deputados contra os 90 do PSOE e os 69 imputados ao Podemos a nível nacional e regional.

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