Política "Esse não é o início do fim. É o início da luta", diz Dilma

"Esse não é o início do fim. É o início da luta", diz Dilma

"Não vi uma discussão sobre o crime de responsabilidade", disse a presidente brasileira esta segunda-feira, numa entrevista colectiva no Palácio do Planalto. Dilma Rousseff considerou-se injustiçada e afirmou que nenhum deputado a acusou de crime de responsabilidade.
"Esse não é o início do fim. É o início da luta", diz Dilma
Bloomberg
Negócios 19 de abril de 2016 às 00:25

Dilma Rousseff, que ontem, 17 de Abril, viu a Câmara dos Deputados votar favoravelmente o prosseguimento do processo de "impeachment" que pende sobre si, deu hoje uma entrevista colectiva na residência oficial da presidência, tendo afirmado que viu os seus "direitos torturados", mas acrescentando que sabe que "a democracia é o lado certo da história".

 

A presidente brasileira sublinhou, citada pelo Blog do Planalto, que viu todas as declarações dos deputados e que nenhum deles a acusou de crime de responsabilidade.

 

"Não vi uma discussão sobre o crime de responsabilidade, a única maneira de se julgar um presidente da República no Brasil. Isso porque a Constituição assim o prevê. Ela prevê que é possível [o impeachment] e está escrito, mas a Constituição estipula que é necessário a existência do crime de responsabilidade para que um presidente possa ser afastado do cargo. Isso depois de receber os votos majoritários da população. Recebi 54 milhões de votos e me sinto indignada", afirmou aos jornalistas presentes, a quem concedeu a resposta a seis perguntas.

 

Além isso, referiu ter a certeza de que os deputados sabem que a presidente não cometeu o crime de responsabilidade. "Não há contra mim nenhuma acusação de desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, não fui acusada de ter contas no exterior", salientou.

 

Na votação de ontem, recorde-se, 367 deputados votaram favoravelmente à admissibilidade do processo de destituição da presidente, ao passo que 137 se pronunciaram contra, tendo havido também sete abstenções e duas ausências. Bastavam os votos de dois terços dos parlamentares, ou seja, 342 dos 513 deputados, para o processo de "impeachment" avançar para o Senado.

 

Dilma Rousseff garantiu esta noite que não vai desistir nem abrir mão de todos os instrumentos de que dispõe "para defender a democracia". "Esse não é o início do fim. É o início da luta", declarou.

 

A governante disse ainda que não é o seu mandato que está em questão, mas sim a democracia. "Estou tendo meus direitos torturados, mas não vão matar a esperança, porque eu sei que a democracia é sempre o lado certo da história. E isso quem me ensinou foi a história de meus País. Foram dezenas, centenas, milhares de pessoas que lutaram pela democracia", frisou.

 

Sobre a continuidade do processo, demonstrou confiança em ser absolvida no Senado e acusou o Congresso de não lhe ter dado tréguas nos últimos 15 meses.

 

Falando abertamente do vice-presidente Michel Temer, que a substituirá na presidência se o "impeachment" passar no Senado (que tem depois 180 dias para decidir se a saída de Dilma passa a permanente), disse que a sociedade não gosta de traidores. "É estarrecedor que um vice-presidente, no exercício de seu mandato, conspire abertamente contra a presidenta. Em nenhuma democracia do mundo uma pessoa que fizesse isso seria respeitada, porque cada um de nós sabe a injustiça e a dor que se sente quando se vê a traição no acto", destacou.




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