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Ferro Rodrigues: Presidente gerou situação "gravíssima" e tenta pôr PS entre espada e a parede

O ex-secretário-geral socialista Ferro Rodrigues acusou hoje o Presidente da República de ter colocado as instituições democráticas numa situação "gravíssima" e de tentar pôr o PS "entre a espada e a parede" do ponto de vista político.

Ferro Rodrigues apela a que "não seja desperdiçado um voto" no domingo
Lusa 11 de Julho de 2013 às 11:44
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Em declarações à agência Lusa, após a comunicação ao país de Cavaco Silva, Ferro Rodrigues apontou que "no décimo dia de uma grave crise política criada pelas divergências entre os chefes dos partidos da coligação de direita [Pedro Passos Coelho e Paulo Portas] o Presidente da República acrescentou confusão à confusão".

 

"É compreensível que o Presidente da República não tenha pretendido carimbar por baixo e apoiar a solução governativa que, com pompa e circunstância, lhe tinha sido apresentada ao país uns dias antes pelos líderes do PSD e do CDS-PP e é também aceitável que o Presidente da República levante dificuldades à realização de eleições antecipadas brevemente, mas já não é compreensível nem aceitável que pretenda trocar a realização de eleições daqui a um ano e três meses por um compromisso do PS com as políticas de austeridade que levaram o país ao desastre económico, social e político", sustentou o ex-líder socialista.

 

Para Ferro Rodrigues, com a sua declaração ao país, o chefe de Estado tentou "pôr o PS entre a espada e a parede, o que é inaceitável".

 

"O Presidente da República acabou por transformar uma crise política que já era grave numa crise política gravíssima, gerando uma situação dramática. Todos os partidos foram colocados numa situação insustentável: Os partidos que não foram citados [para o acordo de médio prazo] e que têm representação parlamentar [PCP e Bloco de Esquerda]; os partidos da coligação governamental PSD/CDS, que viram rasgada a sua proposta; e o PS que é alvo deste tipo de pressões", disse.

 

O deputado socialista e ex-secretário-geral do PS considerou mesmo que a atual situação é de enorme gravidade "para o próprio Presidente da República e para as instituições democráticas, porque a solução que apontou, sem eleições, não tem pernas para andar".

 

"Há muito tempo que defendo que deveria haver um Governo muito amplo, inclusivamente mais amplo do que o proposto pelo Presidente da República, mas só há condições políticas para a formação desse executivo após a realização de eleições e não antes. Neste momento, dois anos depois, seria impensável que o PS viesse dar cobertura a políticas gravosas dos pontos de vista político, social e económico e que não conseguem quaisquer resultados para Portugal", advertiu Ferro Rodrigues.

 

Neste contexto, o ex-líder do PS e ex-ministro dos governos de António Guterres deixou um apelo a Cavaco Silva: "Não prolongue este estertor, porque não é verdade que este Governo esteja com toda a sua legitimidade - e isso só é verdade formalmente".

 

"Do ponto de vista político, com o ministro Álvaro [Santos Pereira] na Economia, com [Paulo] Portas a ministro dos Negócios Estrangeiros, estamos perante um Governo morto. Estar a prolongar esta situação de estertor é mau para o país, é mau para o Governo, é mau para a oposição e é mau para as instituições democráticas e para o Presidente da República", defendeu.

 

Ferro Rodrigues afirmou mesmo acreditar que, se Cavaco Silva não retirar rapidamente a sua proposta de acordo de médio prazo de salvação nacional, "será forçado a recuar de uma forma desorganizada".

 

"Ou o Presidente da República marcará eleições mais cedo do que quer, ou acabará por dar posse a um Governo PSD/CDS em condições de maior enfraquecimento, ou tentará construir um Governo intermédio de iniciativa presidencial, que não terá condições políticas nem mesmo para uma aprovação no parlamento, quanto mais para levar á prática medidas gravosas para os portugueses", acrescentou.

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