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Fitch: Investigação a Lula da Silva reforça incerteza política no Brasil

A agência de notação financeira Fitch emitiu na quinta-feira um relatório dando conta das suas preocupações relativamente ao Brasil. O recente interrogatório ao ex-Presidente Lula da Silva "contribui para a incerteza de um já difícil cenário político", sublinha.

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How Brazil's Politics Impacts Markets
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 11 de Março de 2016 às 01:27
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A Fitch considera que o contínuo impacto, sobre o Brasil, da queda da confiança, da incerteza política e dos fortes ventos contrários que sopram externamente sustentam a sua recente revisão em baixa do crescimento para o país.

 

"A profundidade e duração da recessão destacam o risco de que a persistente debilidade económica possa minar ainda mais a consolidação orçamental e a dinâmica da dívida soberana, tal como está reflectido no nosso ‘outlook’ negativo para a dívida de longo prazo do Brasil e no rating BB+", diz o relatório divulgado na quinta-feira, 10 de Março.

 

A agência recorda que nas suas perspectivas económicas globais mais recentes, publicadas na segunda-feira, 7 de Março, desceu a estimativa para o PIB real do Brasil em 2016, de -2,5% para 3,5%. "Ainda estamos convictos de que o crescimento regressará no próximo ano, mas será mais fraco do que aquilo que pensávamos: será de 0,7%, contra os 1,2% estimados anteriormente", salienta.

 

Esta revisão, refere a Fitch, reflecte a sua ideia de que o processo de destituição da Presidente Dilma Rousseff e os receios em torno da trajectória orçamental do Brasil continuarão a penalizar a confiança, a par com as pressões externas decorrentes dos preços das matérias-primas, da desaceleração económica na China e da volatilidade dos mercados financeiros internacionais.

 

Além disto, a Fitch considera que as questões em torno de Lula da Silva também estão a agravar o cenário. "Os mais recentes desenvolvimentos políticos, incluindo o interrogatório policial ao ex-Presidente Lula, estão a reforçar a incerteza num já difícil cenário político", frisa o relatório.

 

Tudo isto sugere, segundo a agência, que o foco político e as energias poderão ser consumidos na tentativa de conter um contágio proveniente das investigações no caso Lava Jato e no processo de "impeachment" de Dilma, "às custas do progresso legislativo".

 

"A título de exemplo, o Governo estava a planear propor uma reforma da Segurança Social e introduzir tectos multi-anuais à despesa pública, de modo a melhorar as perspectivas orçamentais de médio prazo, (…) mas a actual situação política poderá tornar bastante difícil quaisquer progressos nesses campos", considera a Fitch.

 

Recorde-se que, na quarta-feira, a Procuradoria de São Paulo acusou Lula da Silva de alegada ocultação de património e lavagem de dinheiro por ter supostamente recebido um apartamento de uma construtora envolvida no caso de corrupção da Petrobras, segundo a imprensa brasileira citada pela Lusa.

 

Ontem, 10 de Março, a mesma Procuradoria [Promotoria] de São Paulo pediu a prisão preventiva de Lula da Silva devido a essa denúncia sobre crimes cometidos na aquisição de um apartamento triplex no Guarujá, litoral daquele Estado.

 

Lula da Silva foi também interrogado na passada sexta-feira, 4 de Março, pelo Ministério Público, num outro processo relacionado com a investigação de corrupção na Petrobras.

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