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França ameaça deixar sair refugiados para o Reino Unido e abre portas a bancos ingleses

Se os britânicos quiserem sair da UE, a França promete abolir o controlo de fronteiras com o Reino Unido. Os bancos radicados na City de Londres são bem-vindos do outro lado da Mancha, acena o ministro francês da Economia.

Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 03 de Março de 2016 às 12:49
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A poucos meses do referendo que vai decidir a permanência do Reino Unido na União Europeia, continuam as pressões para a sua manutenção no "clube dos 28". Desta vez, e numa altura em que se agudiza a situação no campo de refugiados em Calais (com o desmantelamento de uma das zonas da denominada "selva"), a ameaça chega do lado de lá da Mancha.

Emmanuel Macron, o ministro francês da Economia (na foto), deu conta esta quinta-feira, 3 de Março, do que pode custar um "Brexit": se os eleitores decidirem pela saída da União, a França abolirá o controlo de fronteiras que mantém através de acordo bilateral e deixará entrar no Reino Unido os milhares de refugiados e migrantes que anseiam pisar território britânico.

"No dia em que esta relação acabar, os migrantes não ficarão em Calais e o passaporte financeiro não funcionará tão bem", assegurou Macron ao Financial Times. E, quase numa lógica de "toma-lá-dá-cá", Paris aponta baterias noutra direcção: os banqueiros e instituições financeiras que queiram deixar Londres com receios do impacto da saída do mercado único, têm lugar assegurado na capital gaulesa.

"Se tiver de estender um tapete vermelho, diria que teríamos algumas saídas da City de Londres", afiança na entrevista. Macron defende ainda que a saída do Reino Unido poderia abrir um precedente que levaria a que outros países pudessem ser tentados a fazer o mesmo, apontando os casos da própria França, Espanha, Polónia, Holanda ou Alemanha onde emergem partidos radicais.

As declarações de Macron surgem antes do início da cimeira franco-britânica marcada para esta quinta-feira na cidade francesa de Amiens, e quatro anos depois de o primeiro-ministro britânico David Cameron ter convidado as empresas francesas a fazerem as malas para o outro lado do canal, quando Paris aumentou os impostos às companhias.


O Reino Unido marcou para 23 de Junho o referendo à permanência na União Europeia, depois de ter negociado nos últimos meses com os seus parceiros novos termos para essa relação com os outros 27 países-membros que prevêem, por exemplo, alterações nos procedimentos de regulação do sector financeiro e na relação com trabalhadores oriundos de outros países da UE.

No início desta semana, o Governo de David Cameron alertou que a saída do Reino Unido da União Europeia conduziria o país "a uma década de incerteza", com repercussões na actividade económica e na vida de milhões de britânicos residentes na Europa.

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