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Francisco Assis: Governo está a gerir a crise financeira com a devida discrição

O líder parlamentar do PS nega que o Governo esteja a recusar a ajuda externa para ter argumentos de defesa na próxima campanha eleitoral, contrapondo que a gestão da crise financeira está a ser feita com discrição.

Lusa 05 de Abril de 2011 às 15:27
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A posição de Francisco Assis foi assumida em entrevista à agência Lusa, na qual também procurou justificar a escalada do défice do Estado a partir de 2009.


Segundo o líder da bancada socialista, a partir de 2009, Portugal enfrentou "uma gravíssima crise financeira de origem externa, com consequências enormes no país, que o obrigou depois a adoptar uma linha de orientação que motivou um alargamento do défice orçamental".

"Mas nos três primeiros anos de Governo de José Sócrates uma das preocupações centrais foi a redução drástica do valor do défice", vincou, antes de rejeitar que tivessem existido exageros em Portugal ao nível dos programas de Obras Públicas.


"A prioridade do país era dotar-se de infra-estruturas que o tornasse mais atractivo e mais competitivo num quadro internacional mais exigente", respondeu, dando como exemplos de projectos de "qualificação do território" o novo aeroporto de Lisboa, o comboio de alta velocidade e as obras no plano rodoviário.


Para Assis, estas obras fizeram também sentido em função de Espanha, "porque Portugal não é uma ilha e tem de estar articulado no quadro europeu".

"Mas, neste momento, temos de rever algumas coisas, porque as circunstâncias de financiamento se alteraram. Enquanto essas circunstâncias continuarem neste estado, temos de ter atenção a isso, evidentemente", justificou.


Já sobre a constante subida dos juros de Portugal nos mercados internacionais, o presidente do Grupo Parlamentar do PS rejeitou que o Governo esteja a fazer um braço de ferro em torno do recurso à ajuda externa.



"Não é um braço de ferro, mas uma convicção profunda do primeiro-ministro, a qual compartilho. Devemos fazer -- e fizemos -- tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar a necessidade de recorrer à ajuda externa, porque essa ajuda externa vem acompanhada da imposição de programas que penalizam largos sectores da população portuguesa", sustentou.

De acordo com o líder parlamentar do PS, neste momento, o Governo está a procurar evitar simultaneamente cenários de ajuda externa e de bancarrota.


"Mas, com o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento, as circunstâncias alteraram-se e degradaram-se, bastando para tal ver o que tem acontecido nos últimos 15 dias. Temos de prosseguir a nossa linha de actuação no sentido de dar sinais claros de que estamos a fazer aquilo que tem de ser feito e veremos dia a dia qual a situação. Não vamos antecipar cenários de crise, porque, nestas coisas, antecipá-los teoricamente tem a consequência de antecipá-los também na prática. Compreendo que haja da parte do Governo uma grande preocupação em gerir tudo com a devida discrição", defendeu Assis.


Confrontado com as preocupações do ex-Presidente da República Mário Soares sobre promiscuidade entre política e negócios em Portugal, Assis disse acreditar que o país já viveu períodos piores nesse aspecto.


"Acho bem que haja personalidades como Mário Soares que salientam permanentemente a necessidade de se operar uma distinção entre o mundo dos negócios e o mundo da política. Cada um destes mundos tem a sua lógica própria", frisou o líder da bancada socialista.

Na perspectiva de Assis, "quando aparentemente há alguma circulação entre mundo dos negócios e política, isso cria uma má imagem e prejudica as nossas instituições democráticas".


"É preciso sempre garantir que o interesse público de uma sociedade prevalece sobre os vários interesses particulares. Essa é a função dos políticos. A função da estrutura política é garantir a regulação das sociedades e a salvaguarda do interesse público sobre os diferentes interesses particulares", reforçou Francisco Assis.

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