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Grécia falha eleição do Presidente da República e vai a votos mais cedo

À terceira não foi de vez. A Grécia vai a votos mais cedo e inaugura o calendário eleitoral europeu de 2015. A última ronda da eleição presidencial falhou em eleger um novo Chefe de Estado. O Parlamento será agora dissolvido e Antonis Samaras vai propor que as eleições legislativas ocorram a 25 de Janeiro.

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Os gregos vão ser chamados às urnas depois do Governo de Antonis Samaras ter falhado a eleição de um novo Presidente da República. O seu candidato, o antigo comissário europeu Stavros Dimas, não conseguiu obter um mínimo de votos necessários para substituir Karolos Papouilas - 180 de um total de 300.

 

Stavros Dimas obteve 168 votos favoráveis, precisamente o mesmo número alcançado na segunda ronda. Nenhum deputado alterou o seu sentido de voto face à ronda anterior.

 

Esta foi a terceira e última ronda das eleições presidenciais gregas. Falhada a eleição do antigo comissário europeu, a Constituição grega define a dissolução do parlamento e o agendamento de eleições no espaço de 10 dias. Como o acto eleitoral tem que ocorrer no dentro de 30 dias, o mais provável é que as eleições tenham lugar a 25 de Janeiro ou a 1 de Fevereiro.

 

Antonis Samaras vai reunir-se ainda hoje com o seu Executivo para discutir quais os próximos passos a tomar pela coligação governamental, que inclui os socialistas do PASOK. O primeiro-ministro grego vai reunir-se amanhã com o Presidente Karolos Papouilas para pedir a dissolução do parlamento e a realização de eleições antecipadas a 25 de Janeiro, avança a Reuters.

 

O líder do Syriza já reagiu ao resultado da eleição, afirmando que "os deputados provaram que a democracia não pode ser chantageada". "Dentro de alguns dias, a austeridade será uma coisa do passado", acrescentou Alexis Tsiptas, citado pelo britânico The Guardian.

 

Syriza de Alexis Tsipras está à espreita

 

A realização de eleições antecipadas pode colocar o Syriza no poder, conforme apontam as últimas sondagens. Mas é de destacar que a coligação de esquerda, com um forte discurso anti-austeridade, têm vindo a perder vantagem.

 

A sondagem mais recente, realizada a 21 de Dezembro, pela Rass para o jornal Eleftheros Typos - aponta para uma vitória do Syriza com 27,1% dos votos contra 23,7% para o Nova Democracia de Antonis Samaras.

 

No entanto, a coligação liderada por Alexis Tsipras perdeu vantagem face à sondagem anterior. Em Novembro, o Syriza tinha 5,3 pontos percentuais de vantagem face ao Nova Democracia.

 

Outra sondagem - da Universidade da Macedónia para o Kathimerini - também aponta para a vitória do Syriza, mas aqui também a vantagem é menor face à sondagem de Novembro - 6,5 pontos de vantagem contra os 7,5 pontos anteriores.

 

A maioria dos gregos (51,5%) acredita que as eleições antecipadas vão desestabilizar a economia do país, enquanto 41% não se mostram preocupados, aponta a sondagem da Rass.

 

Já na sondagem da Universidade da Macedónia, 51,5% dos gregos não queria eleições antecipadas, enquanto 45% apoiava a realização das mesmas.

 

Berenberg: Grécia pode entrar numa crise profunda, enquanto a Europa deverá escapar

"Um grande problema para a Grécia, um problema gerível para a Europa". É este o título da nota emitida pela Berenberg sobre o facto de Atenas ter falhado a eleição do Presidente da República. A casa de investimento realça a liderança do Syriza nas sondagens, o que considera ser um ponto negativo, mas destaca que o discurso do partido tem sido moderado, o que é positivo.

 

A casa de investimento considera que há 55% de probabilidade do Syriza vencer as eleições legislativas, enquanto o actual primeiro-ministro, Antonis Samaras, terá uma probabilidade de 45%. Dito isto, para a Berenberg há um risco de 30% da Grécia entrar numa crise profunda.

 

Sobre o impacto no resto da Europa, a casa de investimento diz que este contexto em Atenas "tornou-se um potencial risco. Mas sobretudo para a Grécia." A Berenberg considera que a Europa conseguiu nos últimos tempos munir-se de meios para lidar com as crises.


A casa de investimento realça que uma potencial saída da Grécia da Zona Euro tem implicações para o resto dos estados-membro, mas "se este risco se materializar, não vemos uma probabilidade significativa de outro país" ser atingido por questões semelhantes. 

 
O que é que vai acontecer agora depois do parlamento falhar a eleição do Presidente?

1. Depois da votação da terceira e última ronda das eleições presidenciais, em que o candidato presidencial Stavros Dimas não conseguiu recolher 180 votos, o parlamento será dissolvido pelo Presidente da República, conforme a Constituição do país. Depois, no prazo de 10 dias será anunciada a data de realização de legislativas antecipadas. As eleições parlamentares terão de acontecer entre um mínimo de 21 dias e um máximo de 30, após o dia em que forem marcadas as legislativas antecipadas.

 

2. Assumindo as regras eleitorais gregas, que também obrigam a que as legislativas sejam realizadas num domingo, surgem os dias 25 de Janeiro e 1 de Fevereiro como datas mais plausíveis para as eleições parlamentares gregas;

 

3. Terminadas as votações parlamentares, se o partido mais votado tiver alcançado maioria, o líder desse partido recebe mandato para formar governo até ao terceiro dia após as eleições. Se não houver nenhum partido maioritário, é o líder do partido mais votado que tem três dias para formar o Executivo, cuja formalização requer posterior aprovação em sede parlamentar;

 

4. No caso de insucesso destas tentativas de formação de governo, é atribuído um prazo de três dias ao líder do segundo partido mais votado para que este forme governo. Caso esta opção não valide um Executivo, é dado lugar à última tentativa ao ser atribuído novo prazo de três dias para que o líder da terceira força partidária mais votada forme Executivo governamental;

 

5. Por fim, se falhadas todas estas tentativas, e à imagem do sucedido em 2012, os líderes partidários terão de reunir-se com o presidente grego, que continua a ser Karolos Papoulias, que assumiu funções em 2005, de forma a tentar ser encontrada uma coligação estável de governo. Se tal não for possível, serão agendadas novas eleições legislativas.

(Notícia actualizada às 11h11 com declarações de Alexis Tsipras; às 11h20 com informação sobre o encontro de Antonis Samaras com o Presidente grego; às 11h50 com análise da Berenberg)

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