Política Jerónimo: "Amálgama" entre PS, PCP, Bloco e PEV "só traria mais confusão"

Jerónimo: "Amálgama" entre PS, PCP, Bloco e PEV "só traria mais confusão"

À "geringonça", o líder comunista contrapõe a "amálgama" para recusar que os comunistas integrem o Governo. Numa entrevista ao jornal "Avante!", Jerónimo de Sousa garantiu que o PCP não está "amarrado" a qualquer submissão ao PS.
Jerónimo: "Amálgama" entre PS, PCP, Bloco e PEV "só traria mais confusão"
Miguel Baltazar/Negócios
Paulo Zacarias Gomes 31 de março de 2016 às 12:23

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) voltou a recusar uma solução que junte num Executivo os quatro partidos que apoiam o Governo – PS, PCP, BE e Verdes – no Parlamento, argumentando que essa solução apenas aumentaria a "confusão".


"Muitas vezes a comunicação social questiona por que é que os quatro partidos que permitiram a viabilidade desta solução política não se juntam. Pela nossa parte, consideramos que essa amálgama não traria mais clarificação, mas traria sim mais confusão", afirmou Jerónimo de Sousa ao jornal "Avante!" na edição desta quinta-feira, 31 de Março.


Na entrevista ao órgão oficial do PCP – em que Jerónimo de Sousa é tratado por "tu" -, o líder comunista afirma ainda que o partido não está "amarrado a qualquer submissão ou obrigação" e que o acordo político que sustenta o Governo "será tanto mais duradouro quanto mais respostas positivas se concretizarem".


E apesar de reconhecer que os "avanços" obtidos na relação com o Governo PS são "insuficientes e limitados, ainda que positivos", rejeita a paternidade do Orçamento do Estado - que esta quinta-feira entra em vigor -, afirmando que "não se tratou de um Orçamento de um governo de esquerda – ou de esquerdas, se quisermos – mas sim de um Orçamento do Governo do PS".

cotacao Muitas vezes a comunicação social questiona por que é que os quatro partidos que permitiram a viabilidade desta solução política não se juntam. Pela nossa parte, consideramos que essa amálgama não traria mais clarificação, mas traria sim mais confusão. Jerónimo de sousa Secretário-geral do PCP

Assumindo o respeito do PS pelas posições comunistas nas reuniões conjuntas, acusa contudo os socialistas de contradição por não se libertarem "dos constrangimentos europeus" e as instituições europeias de hipocrisia por usarem uma receita contra a crise que "não resultou mas continua a ser aplicada", voltando a defender ainda o fim da "submissão ao euro" e a discussão da renegociação da dívida.

Sobre a crescente preocupação com a "espanholização" da banca portuguesa, aponta o que diz ser outra contradição dos que se preocupam com a venda de bancos a instituições do país vizinho: "Como é que se pode estar contra isso e simultaneamente estar de acordo com o avanço da União Bancária que precisamente prevê essa deslocalização e centralização? (…) O que serve o interesse nacional é o controlo público da banca", argumenta.


Jerónimo de Sousa deixa ainda uma farpa aos antecessores de Costa no Governo: "Desde a nova solução política encontrada, [PSD e CDS] rezam a todos os santinhos para que a pressão e a chantagem externa aumentem".




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