Política Jornal do PCP diz que Governo do PS ainda não "rompeu" com a política de direita

Jornal do PCP diz que Governo do PS ainda não "rompeu" com a política de direita

O Avante!, órgão de informação do PCP, partido que tem um acordo parlamentar com o PS, defende no editorial em que assinala os 85 anos de existência que o Governo socialista ainda não rompeu com a política de direita.
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Lusa 13 de fevereiro de 2016 às 11:21

Referindo que "o que preocupa PSD e CDS e os grandes interesses que representam não é, de facto, o crescimento económico do País, mas que o povo possa perceber que há um caminho que pode ser diferente, (…) e que já permitiu concretizar objetivos, que, ainda que limitados, conduziram à devolução de rendimentos", o PCP destaca que são "avanços e progressos que importa valorizar e consolidar" mas "sem esquecer, contudo, opções de fundo associados à política de direita com os quais o Governo do PS não rompeu e que colidem com a necessidade de defesa do interesse nacional".

 

Os comunistas citam como exemplos "o processo e a resolução do Banif, a ameaça de entrega do Novo Banco ao grande capital, a privatização da CP Carga e, agora, as soluções para a TAP".

Para o PCP, as referidas soluções para a TAP "em vez de garantirem a recuperação pelo Estado desta empresa estratégica, na prática legalizam o processo atentatório do interesse nacional que o Governo PSD/CDS impôs nos últimos dias de gestão".

 

O semanário do PCP destaca ainda na sua última edição datada de 11 de Fevereiro os 85 anos do jornal com duas páginas centrais.

 

Ainda sobre esta edição número 2.202, o director Manuel Rodrigues disse à agência Lusa que aborda "diferentes aspectos da intervenção do PCP, porque é o órgão central do PCP, valorizando toda a dinâmica desenvolvida por este partido nas várias instâncias em que intervém, designadamente nas instituições como a Assembleia da República, no Parlamento Europeu, nas autarquias locais, nas Assembleias Legislativas Regionais da Madeira e dos Açores. Toda essa dinâmica e depois também a sua intervenção no estímulo à luta de massas".

O jornal recorda ainda que foi o que se publicou durante mais anos, de forma ininterrupta, na clandestinidade.

 

A este propósito, Manuel Rodrigues sublinhou que foi "o jornal a nível mundial que mais aguentou em tempos de clandestinidade sempre escrito, impresso e distribuído em Portugal através de esquemas vários, que levaram o Avante! a ter edições de mais de 10 mil exemplares que eram de facto distribuídos".

 

Depois do 25 de Abril de 1974, que derrubou o regime que tinha ilegalizado esta publicação, o Avante! foi legalizado a 17 de maio desse ano e o primeiro número teve uma distribuição de 500 mil exemplares: "uma coisa absolutamente espantosa", afirmou o actual director.

Questionado se em democracia o jornal continua a ser uma forma de resistência, o director respondeu afirmativamente.

 

"Virada a página da ditadura para a democracia vivemos um período revolucionário que o Avante acompanhou estimulando uma série de conquistas de direitos (…) e afirmação desses direitos e desses avanços e depois, a partir de dada altura no retrocesso da própria história, num processo que consideramos de reversão das conquistas revolucionárias, de contra revolução de facto, o Avante passou a uma atitude de resistência e de luta com os trabalhadores e com o povo português", concluiu.

 




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