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Lacão demite-se porque considera "inequivocamente" que Seguro deveria convocar Congresso

"Não é a invocar formalismos estatutários" que António José Seguro se deve proteger, diz o socialista Jorge Lacão, depois de se ter demitido do secretariado nacional do partido. Pedro Marques também quer eleição directa.

Bruno Simão/Negócios
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Jorge Lacão, que se demitiu esta quarta-feira, 28 de Maio, do secretariado nacional do Partido Socialista, defende que António José Seguro deveria convocar, ele próprio, um Congresso Extraordinário para discutir a sua liderança.

 

"Considero, inequivocamente, que o secretário-geral deve ser o primeiro interessado a tomar essa iniciativa", afirmou Jorge Lacão em declarações aos jornalistas no Parlamento, depois de a notícia ter sido avançada pelo jornal "Sol".

 

Dizendo não querer acreditar nas "interpretações" dadas por "colegas" do secretariado nacional, que remeteram para os estatutos do PS a não-convocação de um Congresso, Jorge Lacão afirmou que "não é a invocar formalismos estatutários" que se pode impedir os militantes de tomarem "decisões fundamentais".

 

O deputado socialista, que considera que o secretariado nacional é um "órgão de coesão" e de "confiança directa com o secretário-geral", abandona essa função porque tem uma posição "manifestamente diferente" da demonstrada por outros membros.  E Lacão acredita que deve assumir uma "posição de forma franca" para não ficar "condicionado por lealdades funcionais".

 

De qualquer modo, questionado pelos jornalistas, Jorge Lacão não assumiu qualquer apoio a António Costa, com quem esteve no primeiro Governo de José Sócrates. Para o deputado, o importante não é a questão polarizada entre Seguro e Costa, depois de este mostrar abertura para disputar a liderança do maior partido da oposição, mas sim "permitir a abertura do debate e decisão a todos os militantes do partido".

 

Apesar disso, foi dizendo que o resultado das eleições para o Parlamento Europeu, em que o PS ganhou com três pontos de distância face à Aliança Portugal (PSD e CDS/PP), ficou "aquém do que é necessário", acrescentando que é necessária uma "liderança que seja capaz de fazer essa mobilização", de forma a que os "portugueses retomem uma relação de confiança com o PS".

 

Pedro Marques também quer Congresso

 

Pouco depois, e também no Parlamento, o deputado Pedro Marques assumiu a mesma postura. Não quis tomar uma posição oficial sobre se estaria disponível para apoiar António Costa numa eventual candidatura á liderança socialista, mas pediu um Congresso para que essa opção esteja em cima da mesa.

 

"Mais importante que contar espingardas é mostrar à sociedade portuguesa que vamos apresentar o melhor candidato a primeiro-ministro. E isso faz-se através de escolha directa", afirmou Pedro Marques aos jornalistas, em declarações transmitidas pelas televisões.

 

"A força do PS resulta muito dessa escolha directa do seu secretário-geral. Isso faz-me com um Congresso", acrescentou, adiantando que isso só poderá unir o PS.

 

Segundo o artigo 54º dos estatutos do Partido Socialista (PS), o congresso pode reunir de forma extraordinária "mediante a convocação da comissão nacional, do secretário geral ou da maioria das comissões políticas de federações que representem também a maioria dos membros inscritos no Partido". Seguro já fez saber que não conta convocar qualquer estatutos.

 

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