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Maioria dos portugueses concorda com o fim dos cortes mas não com as 35 horas

A maioria dos portugueses mostra-se favorável à decisão de acabar com os cortes de salários na Função Pública e com a redução de cortes aos pensionistas. Já o regresso das 35 horas é considerado uma má decisão, de acordo com um inquérito da Aximage.

Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 16 de Agosto de 2016 às 07:00
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A reversão de medidas de austeridade do anterior Governo está a ser bem aceite pelos portugueses. Segundo o barómetro da Aximage "Reversão de medidas governamentais", conduzido para o Negócios e o Correio da Manhã, 55,1% dos 606 inquiridos concorda, em geral, com a decisão do Executivo de António Costa de acabar com algumas das medidas do anterior Governo, liderado por Passos Coelho. Mas não com todas: o regresso às 35 horas é criticado.

 

A maioria dos inquiridos que, em geral, vê com bons olhos a reversão destas políticas votou no PS (85,5%), na CDU (89,6%) e no Bloco de Esquerda (77%). Só 26,5% dos inquiridos considera que António Costa esteve mal em reverter as políticas do anterior Executivo – entre os votantes do PSD, foram 60,2% os inquiridos que se posicionaram desta forma, e 50,6% no CDS. "Assim-assim" foi a resposta escolhida por 13,8% dos inquiridos.

 

Mas nem todas as medidas têm o mesmo grau de aceitação. A diminuição dos cortes nas pensões dos reformados é a mais consensual: 69,8% dos inquiridos considera que o Governo decidiu bem, enquanto 24,8% defende que o Executivo de Costa esteve mal e 3,2% assim-assim. Esta medida é especialmente popular entre os eleitores socialistas (82,8% dizem que o Governo esteve bem) e os da CDU (84,4%).

 

A reposição de salários na Função Pública vem logo a seguir, com 60,9% dos inquiridos a defenderem que foi uma boa decisão do actual Governo e 32% a assinalarem que o Governo esteve mal. Novamente, são os eleitores do PS (87,2%), CDU (88,2%) e Bloco (60,1%) os mais satisfeitos. Já a maioria dos inquiridos votantes no PSD (56,6%) e CDS (50,4%) são críticos do fim dos cortes nos salários dos funcionários públicos acima de 1.500 euros.

 

Só o regresso das 35 horas à Função Pública é que destoa neste quadro. Apesar de 40,5% dos inquiridos considerarem que foi uma boa decisão, a maioria (55,5%) defende que António Costa esteve mal. Dentro da geringonça, só os eleitores da CDU é que parecem estar convencidos – 70,7% dizem ter sido uma boa medida. No PS, 55,1% dos inquiridos concordam e 40% discordam; já entre os votantes do Bloco de Esquerda a divisão é quase total: 50,9% dizem ter sido uma boa medida e 49,1% dizem que foi uma má medida.

 

O estudo foi conduzido entre 15 e 17 de Julho e tem uma margem de erro de 4%.

 

Economia vai estar igual ou pior dentro de um ano

 

Um outro barómetro da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã, conduzido junto dos mesmos 606 inquiridos, revela que a maioria deles está pessimista quanto ao desempenho económico do país no próximo ano. Questionado sobre qual será o estado da economia dentro de um ano, 34,5% dos inquiridos prevêem que vai estar igual, 31,1% dizem que vai estar pior e só 30,4% acreditam que vai estar melhor.

 

As perspectivas são mais positivas quando os inquiridos são questionados sobre o estado da economia daqui a três anos. Aí a resposta já é mais convincente: 45,5% dos inquiridos acreditam que a economia vai estar melhor em 2019, no final da actual legislatura. Ainda assim, 26% dos inquiridos defendem que estará pior, e 4% prevêem que vai estar igual.

 

Na segmentação por partidos, os inquiridos que votaram no Bloco de Esquerda são os mais cépticos e só 37,7% acreditam que, dentro de um ano, a economia vai estar melhor – a maioria (52,5%) diz que vai estar igual. Novamente, são os eleitores da CDU os mais entusiastas: 65,5% prevêem que a economia vai estar melhor dentro de um ano. Entre os votantes do PS, a crença é menor: 50,3% acreditam que estará melhor, enquanto 36,2% dizem que vai estar igual.



Ficha Técnica

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidores de telemóvel.

Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 606 entrevistas efectivas: 284 a homens e 322 a mulheres; 53 no Interior Norte Centro, 77 no Litoral Norte, 109 na Área Metropolitana do Porto, 119 no Litoral Centro, 170 na Área Metropolitana de Lisboa e 78 no Sul e Ilhas; 110 em aldeias, 157 em vilas e 339 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.

Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 15 a 17 de Julho de 2016, com uma taxa de resposta de 81,9%.

Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 606 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 4,00%).

Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.

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