Política Marcelo declara-se preocupado com "nova moda das democracias iliberais"

Marcelo declara-se preocupado com "nova moda das democracias iliberais"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou-se preocupado com "esta nova moda das democracias iliberais", sem mencionar nem caso específico, e com a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social.
Marcelo declara-se preocupado com "nova moda das democracias iliberais"
Lusa 06 de junho de 2018 às 00:14

"O que é mais preocupante, em democracias, é esta nova moda das democracias iliberais, que não são democracias. Os populismos, as xenofobias, as exclusões, o unilateralismo, o ataque às organizações internacionais, estes movimentos e estes partidos que surgem", declarou Marcelo Rebelo de Sousa esta terça-feira à noite.

 

O Presidente da República deixou estas mensagens numa intervenção em inglês num jantar do Congresso da Associação Mundial de Jornais, no Palácio Foz, em Lisboa, que depois sintetizou aos jornalistas.

 

Segundo o chefe de Estado, esses são "problemas vivos, prementes e inesperados" também identificados pelos representantes de grupos de comunicação social presentes neste encontro internacional, que "não esperavam, em democracias mais ou menos antigas, assistir a este fenómeno".

 

"Depois, sobre Portugal, eu disse que, felizmente, em termos de liberdade de imprensa, estamos bem. Mas há um problema económico e financeiro, eu não entrei em pormenores, que é o problema da sustentabilidade dos órgãos de comunicação social", relatou.

 

O Presidente da República referiu que tem havido "durante muitos anos, a dificuldade de o consumidor substituir a falta de receitas de publicidade e, portanto, meios de comunicação social que passam a ter uma base muito mais frágil do ponto de vista económico e financeiro".

 

Na intervenção que fez, em inglês, mais de meia hora antes do previsto, Marcelo Rebelo de Sousa não desenvolveu o tema da situação deste sector no plano nacional, mas apresentou Portugal como "uma verdadeira democracia, que ama todas as liberdades" e que vive a liberdade de imprensa "sabendo como é duro sobreviver, em muitos casos".

 

"Nós realmente lutamos por democracia, pela liberdade de imprensa, pela inclusão, pelo multilateralismo -- que já não estão na moda, como sabem, especialmente nas democracias", acrescentou, em tom de lamento, expressando preocupação com o actual contexto global.

 

O chefe de Estado centrou o seu discurso nas chamadas "democracias iliberais", considerando que a falta de liberdades e de pluralismo "é ainda pior em democracias bem conhecidas" do que em sociedade tradicionalmente subdesenvolvidas e não democráticas.

 

"É ainda pior em democracias bem conhecidas, onde vemos agora populismo, xenofobia, exclusão, unilateralismo, e isso não são boas notícias. Levou-nos tanto tempo para construir organizações internacionais, criar condições para o diálogo em todo o mundo e, de repente, não apenas num único caso, mas em muitos casos", afirmou.

 

Embora sem nomear nenhum país, Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que estava também a pensar na União Europeia: "É preocupante ver como estes movimentos e partidos se tornam tão poderosos, tão importantes, que a certo ponto discutem a própria ideia da União Europeia, da integração europeia que foi o resultado de 60 anos".




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