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Marcelo afirma que o investimento português em Moçambique é para continuar e aumentar

O Presidente da República, de visita a Moçambique, defende que o investimento naquele país é para "aumentar". Sobre uma eventual intervenção de Portugal no conflito entre Frelimo e Renamo, Marcelo diz que não se deve "pôr o carro à frente dos bois".

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 03 de Maio de 2016 às 18:07
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 O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta terça-feira, 3 de Maio, que Portugal acredita no futuro de Moçambique e vai manter e aumentar o investimento neste país, apesar das actuais dificuldades económicas e financeiras e da crise político-militar.

"A minha palavra de ordem é: o investimento português em Moçambique é fundamental, é para continuar e é para aumentar", declarou o chefe de Estado, em resposta a questões dos jornalistas, na residência do embaixador de Portugal em Maputo.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que acompanha há décadas o que se passa em Moçambique e quis deixar "uma palavra de esperança e uma palavra de fé" no futuro do país: "Nada é definitivo, as situações difíceis são ultrapassáveis. Nada é irreversível, o que existe é um momento difícil".

"Moçambique soube sempre dar a volta à situação. Mesmo nos momentos de maior dificuldade e maior pobreza soube reagir e soube dar a volta à situação. Já viveu momentos piores do que este, bastante piores. Vai dar a volta à situação", reforçou.

O chefe de Estado português disse que a situação de Moçambique "vai ser o objecto de compreensão" durante a sua visita a Moçambique e que só na quarta-feira terá os contactos políticos e institucionais que lhe permitirão "compreender efectivamente como está a realidade moçambicana".

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, os empresários portugueses com quem contactou têm intenção de "avançar com novos projectos", apesar quadro económico-financeiro.

"Há uma vontade muito grande de permanecer, continuar e ir mais longe. E a minha presença aqui quer dizer: vamos em frente, apostemos nisso, resistamos às vezes aos momentos mais difíceis - porque é nos momentos mais difíceis que se vêem os amigos", acrescentou.

 

Presidente não quer "pôr o carro à frente dos bois" sobre eventual acção de Portugal

 

Marcelo defendeu, contudo, que não se deve "pôr o carro à frente dos bois", após ser questionado sobre uma eventual acção de Portugal relacionada com o conflito moçambicano entre Frelimo e Renamo.

 

Em resposta a questões dos jornalistas, em Maputo, no primeiro dia da sua visita a Moçambique, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que "num Estado soberano quem tem a palavra decisiva é o poder político do Estado soberano".

 

Interrogado se Portugal está disponível para actuar se houver um pedido da parte do poder político moçambicano, respondeu: "Não vamos pôr o carro à frente dos bois. Sabem que é uma expressão portuguesa muito importante: não pôr o carro à frente dos bois".

 

Falando de forma mais geral sobre o papel que Portugal pode ter em Moçambique, o chefe de Estado português considerou que, primeiro, "é não desistir de Moçambique", em segundo lugar, "manter o investimento em Moçambique", e depois "manter a cooperação a todos os níveis do Estado com Moçambique".

 

"E são muitos os níveis: a cooperação social, a cooperação militar, onde estive também hoje, a cooperação económica e financeira. Portanto, tudo o que puder ser feito, Portugal irá fazendo", completou.

 

Questionado, em particular, sobre o que pode Portugal fazer face à crise político-militar entre a Frelimo, no poder, e a oposição da Renamo, Marcelo Rebelo de Sousa declarou: "Não podemos falar em questões que dizem respeito à soberania de um Estado".

 

"Moçambique é um Estado soberano, que forma uma unidade que não é cindível, que não é partível", acrescentou.

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