Política Marcelo chegou a pé e sozinho à AR. Saiu num Mercedes "um bocadinho emocionado"

Marcelo chegou a pé e sozinho à AR. Saiu num Mercedes "um bocadinho emocionado"

Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse como presidente da República, numa cerimónia com 550 convidados na Assembleia da República. Não foi aplaudido pela esquerda mas foi abraçado pelos antigos adversários.
Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar Bruno Simão Bruno Simão Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão Bruno Simão
Rita Faria 09 de março de 2016 às 15:02

Saiu da Assembleia com toda a pompa e circunstância, num Mercedes prateado com as iniciais da Presidência da República. "Um bocadinho emocionado", como confessou. Muito diferente da forma como entrou, umas horas antes.

Passavam poucos minutos das nove da manhã quando Marcelo Rebelo de Sousa iniciou o dia da sua tomada de posse, contornando o protocolo. O ainda presidente eleito desceu a pé a Calçada da Estrela, vindo da casa do pai. Um caminho que, há muitos anos, percorria em direcção à escola. "Oh diabo já estou atrasado?", perguntou aos jornalistas, enquanto despia, apressado, o sobretudo.

A carregar o vídeo ...

Rodeado apenas pelos seguranças, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se à escadaria da Assembleia da República e juntou-se a Eduardo Ferro Rodrigues que haveria de acompanhá-lo - e por vezes guiá-lo - nas manobras protocolares durante toda a manhã. 

No interior da Assembleia, crescia o frenesim. "Eu já não tenho lugares vazios nas galerias", diz uma funcionária, enquanto encaminha o corpo diplomático para os respectivos lugares. "Olha, eu aqui também já não", responde outra.

A cerimónia da tomada de posse, com cerca de 550 convidados e várias centenas de jornalistas, exige muita organização. Mas nada a que a equipa de relações públicas não esteja habituada. "Basicamente não há grandes diferenças em relação a tomadas de posse anteriores", conta ao Negócios Vítor Pires da Silva, director do Gabinete de Relações Públicas.

No entanto, uma é evidente: a ausência da figura da primeira-dama que, de acordo com o ritual antigo, troca de posição com a esposa do presidente cessante, na tribuna A, ao mesmo tempo que os maridos – o presidente cessante e o presidente eleito - trocam de lugares na tribuna do presidente da Assembleia da República. "A figura da primeira-dama não existe na Constituição nem no protocolo. Por isso não foi propriamente um desafio. Só temos de nos adaptar", diz o chefe do gabinete de Relações Públicas.

Na sala de Sessões, decorada com mais de duas mil rosas vermelhas e amarelas, o burburinho só acalma poucos minutos antes das dez da manhã, quando chegam indicações de que o cortejo já lá vem. Instala-se o silêncio e Marcelo Rebelo de Sousa entra na sala para se posicionar na tribuna, à esquerda do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues. À direita está Cavaco Silva, o presidente cessante.

Ramalho Eanes, Jorge Sampaio, António Guterres, o presidente moçambicano Filipe Nyusi, o rei Felipe VI de Espanha e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, estão entre os convidados que se preparam para assistir à tomada de posse do professor. Tal como os ex-candidatos à Presidência que concorreram contra Marcelo. Mário Soares é uma ausência notada. 

"Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa". Marcelo faz o juramento com a mão direita pousada na Constituição original de 1976, dactilografada e encadernada a vermelho com letras douradas. Assina o acto de posse e é aplaudido pela audiência com excepção dos partidos de esquerda. De seguida, troca de lugar com Cavaco Silva, que se despede do cargo ao fim de dez anos.

Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar Miguel Baltazar

"Portugal é a razão de ser do compromisso que acabo de assumir", declara Marcelo de Rebelo de Sousa, que aproveita o primeiro discurso enquanto chefe de Estado para elogiar o seu antecessor pela "longa e singular carreira ao serviço da pátria".

O agora presidente – que ainda não adoptou o novo acordo ortográfico – recorre a dois autores portugueses para resumir caminhos claros do seu mandato. Em primeiro lugar, a valorização do mar, à semelhança de Cavaco Silva. "Podemos e devemos assumir o mar como prioridade", referiu Marcelo, acrescentando uma citação de Lobo Antunes: "Se a minha terra é pequena, eu quero morrer no mar".

Em segundo lugar, a defesa da identidade nacional. "O difícil para cada português não é sê-lo, é compreender-se", acrescentou o presidente, citando Miguel Torga.

À cerimónia da tomada de posse seguiu-se uma sessão de cumprimentos no Salão Nobre, onde uma fila de convidados esperou para saudar Marcelo. Antigos chefes de Estado, membros do Governo, líderes parlamentares e muitos amigos. Os filhos, Sofia e Nuno. E até antigos adversários do professor nas presidenciais, como Tino de Rans, que dá um abraço caloroso ao presidente.

"Foi muito importante estar aqui presente. Este é o meu presidente, a partir do momento em que se contaram os votos. Como comentador teve sempre muita audiência, espero que como presidente continue a ter muita audiência", diz Tino de Rans ao Negócios. "Desejo que ele tenha um mandato de proximidade. Tenho a certeza que éramos os candidatos mais parecidos. Somos os mais populares de longe. Se o Marcelo não fosse candidato, eu era a segunda escolha de muita gente", atira Vitorino Silva. 

A popularidade de Marcelo foi visível na persistência de muitos populares que aguardaram a sua chegada ao Palácio de Belém, a poucos minutos das 13 horas, quando a chuva já não dava tréguas. "Gosto de ver as tropas e o ambiente. Vim caminhar e aproveitei para assistir. Gosto dele", confessa Leonel Lopes, de 66 anos, enquanto espera para ver o novo chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa entra sozinho no Palácio de Belém.
Marcelo Rebelo de Sousa entra sozinho no Palácio de Belém.
Bruno Simão

"Não votei nele mas é uma das pessoas competentes para nos orientar num momento difícil do País. É um homem inteligente e sabe muito bem o caminho a seguir para conciliar todos. É um grande comunicador", resume o reformado. 

Marcelo haveria de chegar pouco depois, novamente sozinho, para entrar pela primeira vez como presidente da República no Palácio de Belém que, por sua escolha, não será a sua nova morada. 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI