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Marcelo e falta de acordo contra as sanções: "O consenso na substância está lá"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, valorizou hoje que todos os partidos políticos estejam contra sanções a Portugal, manifestando-se satisfeito por essa convergência de substância, embora não na forma de uma texto comum.

3º Marcelo Rebelo de Sousa, 1169 notícias - Terão sido poucos os dias em que o Presidente da República não fez declarações públicas este ano.
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 09 de Junho de 2016 às 13:04
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"O consenso na substância, no conteúdo, está lá, na forma, não. Dizem o mesmo por palavras diferentes. É muito português", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, após dar hoje início às cerimónias do Dia de Portugal, com o hastear da bandeira nacional no Terreiro do Paço, em Lisboa, e uma visita a uma exposição das Forças Armadas, na Ribeira das Naus.

 

O chefe de Estado recordou que "os portugueses costumam dizer que o bom é inimigo do óptimo": "Não tendo uma posição traduzida num texto único, mas se através de vários textos disseram o mesmo, é bom, embora não óptimo. Eu fico satisfeito, preferiria o óptimo, mas o bom já é bom".

 

"A mim, Presidente da República, e a nós, Portugal, o que interessava é que dissessem o mesmo. Se disserem o mesmo através de palavras diferentes, é bom. O que interessa é que lá fora se oiça que todos os partidos políticos pensam o mesmo, uns dizem de uma maneira, outros dizem de outra", argumentou.

 

Perante a insistência dos jornalistas, que o questionaram se a ausência de um texto comum não seria uma falha nos consensos por si pedidos, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "é um passo".

 

"Lá fora percebe-se que todos estão de acordo ao dizer-se não às sanções", declarou.

 

A maioria de esquerda no parlamento apresenta hoje um voto contra a aplicação de sanções a Portugal pela Comissão Europeia por défice excessivo, e PSD e CDS-PP juntos apresentam um outro documento, igualmente contrário à aplicação dessas sanções.

 

O voto de condenação da esquerda parlamentar sobre a aplicação de eventuais sanções a Portugal pela Comissão Europeia defende que esse acto será "infundado" e "injusto" face à grave crise económica e social que afectou Portugal.

 

Este voto, que foi objecto de várias alterações na sequência das falhadas tentativas de acordo com a direita parlamentar, é subscrito pelo Bloco de Esquerda, PCP, "Os Verdes" e PAN (Pessoas Animais e Natureza).

 

Na ausência de um entendimento, o documento da esquerda sobe hoje a plenário a par de um outro apresentado pelo PSD e CDS-PP contra a aplicação de sanções pela Comissão Europeia.

 

Enquanto PSD e CDS-PP entendem que as sanções são infundadas face ao esforço de consolidação orçamental nominal e estrutural de Portugal nos últimos anos, a esquerda parlamentar considera que as sanções são infundadas devido à crise económica e social do país.

 

"A mera possibilidade de impor sanções ao país, para além de inédita ao nível da aplicação do Pacto de Estabilidade e Crescimento, afigura-se infundada, injusta, incompreensível e contraproducente. Infundada e injusta face à grave crise económica e social que afectou Portugal", lê-se na última versão do voto da esquerda parlamentar, ao qual a agência Lusa teve acesso.

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