Política Moção aprovada com desconfiança sobre Maria Luís Albuquerque

Moção aprovada com desconfiança sobre Maria Luís Albuquerque

Sem surpresas, moção de confiança foi aprovada pelas bancadas do PSD e CDS. Oposição apontou baterias à ministra das Finanças
Moção aprovada com desconfiança sobre Maria Luís Albuquerque
Bruno Simão/Negócios
Marlene Carriço 31 de julho de 2013 às 00:01

O Parlamento aprovou ontem, terça-feira, a moção de confiança ao Governo. Mas no ar pairou desconfiança. Desconfiança dos partidos da oposição em relação ao Executivo de Pedro Passos Coelho, à sua estratégia de governação e às escolhas do primeiro-ministro para algumas pastas. O principal alvo de críticas foi a actual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, acusada pelos partidos da oposição de ter mentido no Parlamento em relação ao caso dos "swaps".

"Como pode levar a sério e confiar o País na palavra do Governo quando há uma ministra das Finanças que mente numa comissão de inquérito neste Parlamento?", acusou António José Seguro, líder do PS, referindo-se ao caso dos "swaps", numa pergunta que foi entoada pelos restantes partidos da oposição.

O primeiro-ministro manteve-se sólido na defesa à nova ministra, que veio substituir Vítor Gaspar na pasta das finanças e que levou Portas a pedir demissão. "Quero reafirmar aqui de uma forma muito categórica que a senhora doutora Maria Luís Albuquerque, quer como secretária de Estado, quer hoje como ministra das Finanças, tem sido de uma competência exemplar a tratar de um problema que nós não gerámos, mas que iremos resolver", afirmou Passos.

Recusando-se a tirar "conclusões precipitadas" sobre a polémica dos contratos de alto risco, o chefe de Governo lembrou que "há uma comissão de inquérito que trata dessa matéria". Passos ignorou também as observações em relação à escolha de Rui Machete para os Negócios Estrangeiros, bem como a permanência e subida de Portas no executivo.

Governo e Seguro num piscar de olhos

O debate da moção de confiança – a 11.ª desde o 25 de Abril – ficou marcado também pelos convites de diálogo lançados pelo Governo ao PS.

Logo no discurso de abertura, Passos Coelho dirigiu-se ao PS, pedindo um diálogo e um entendimento em matérias com impacto a longo prazo como a simplificação e redução das taxas de IRC. Sobre este assunto, de resto um dos mais mencionados por Passos Coelho e Paulo Portas, mas também pelas bancadas do PSD e do CDS, Passos frisou que a intenção é baixar o imposto para 17% até 2018, mas abriu a porta a reduções adicionais para lá desse ano.

Já na recta final do debate, Seguro respondeu que o "PS não faltará às suas responsabilidades" e que o local mais adequado para se negociar é no Parlamento. Porém, o líder do PS, que volta agora a insistir na ideia de eleições antecipadas, lembrou que o PS "não confunde o interesse nacional com a união nacional".

No encerramento do debate e antes da aprovação final, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, deixou críticas a toda a oposição. Em relação ao PS disse-se perplexo com o facto de que o "PS porventura não tenha compreendido que a verdadeira alternativa a este Governo seria um segundo resgate".




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