Política Montenegro promete dar "espaço de afirmação" a Rio e ficar "ao lado do PSD"

Montenegro promete dar "espaço de afirmação" a Rio e ficar "ao lado do PSD"

O ex-líder parlamentar social-democrata e aspirante presidente do partido considera que o grande vencedor última semana foi o PSD e garante que, a partir de agora, não irá "insistir" com intervenções políticas, prometendo dar "espaço de afirmação" a Rui Rio.
Montenegro promete dar "espaço de afirmação" a Rio e ficar "ao lado do PSD"
David Santiago 18 de janeiro de 2019 às 12:21
De "consciência tranquila" e convicto de que a última semana de discussão interna foi boa para o PSD - "acordou um gigante adormecido" -, Luís Montenegro promete doravante deixar de expressar as suas divergências em relação ao presidente Rui Rio e "deixar todo o espaço de afirmação política à direção" do partido. 

Depois do conturbado Conselho Nacional que decorreu até altas horas da última madrugada e que aprovou, com 75 votos a favor e 50 contra, a moção de confiança a que o próprio Rio se submeteu depois do desafio lançado por Montenegro para que tivesse a "coragem" de marcar eleições diretas, o antigo líder parlamentar do PSD fez uma declaração voltada para o seio do partido mas também para o país. 

Apesar do tom apaziguador, o crítico de Rio admitiu que as "divergências estratégicas" em relação à atual direção "naturalmente não desapareceram", e lamentou que o agora relegitimado líder do partido não tenha aceitado o desafio de marcar eleições diretas, o único instrumento capaz de oferecer uma "verdadeira clarificação". Montenegro disse não menosprezar nem ignorar a deliberação dos conselheiros sociais-democratas, mas não reconhece a vitória de Rui Rio, optando por sustentar que o "único" vencedor desta semana de discussão interna foi o próprio PSD. 

Nesse sentido e sem responder aos "ataques pessoais" que lhe foram feitos, Luís Montenegro considera que as 12 horas de Conselho Nacional foram uma "reunião à PSD" e defende que o desafio feito ao presidente do partido "teve um efeito inegável: acordou o gigante adormecido que é o PSD".

"Nada vai ficar como dantes, nada vai ficar na mesma", acrescentou apontando os três maiores desafios no futuro próximo do PSD: garantir "unidade interna"; fazer uma "oposição firme e efetiva"; e concentrar-se no "grande objetivo para 2019 que é vencer as eleições".

Mesmo sustentando que o PSD deve apontar à vitória nas três eleições deste ano (europeias, regionais na Madeira e legislativas), Luís Montenegro garantiu não ignorar "as dificuldades eleitorais" que o partido enfrenta, afirmando que seria "hipócrita" fazê-lo. Contudo, o PSD que sai da última semana é um partido "vivo", com "esperança" e "condições" para vencer o ciclo eleitoral de 2019, pelo que Rio tem "obrigação", como qualquer outro líder social-democrata, de ir a eleições para as vencer.


"A partir de agora não vou insistir nas intervenções políticas (...) e vou deixar todo o espaço de afirmação política à direção do PSD", prometeu Montenegro acrescentando que irá ficar ao "lado do PSD" e que irá ajudar no "combate cerrado ao Governo socialista". 

Montengro deixa guião a Rio

Na parte do discurso virada para o plano nacional, Luís Montenegro deixou uma espécie de guião com as áreas em que o PSD deve concentrar a sua ação política.

Defendeu que o país devia estar a crescer mais e lembrou haver na União Europeia 21 países a crescer mais do que Portugal, criticou a "ausência de investimento gritante" em setores como a Saúde e a Educação e lamentou a incapacidade do Governo em promover reformas estruturais. E tal como há uma semana, defendeu que o PSD tem de apostar num projeto centrado em dar esperança aos jovens e em apoiar as empresas. 

No fundo, o PSD deve chegar às legislativas de Outubro com a capacidade de contrapor a respetiva "visão reformista e de futuro" à "visão imobilista e do dia a dia" dos partidos que compõem a atual maioria parlamentar. 

  
Sem querer falar do futuro e assumindo o papel de "militante de base", Montenegro fez também questão de responder àqueles que o acusaram de taticismo, de instigar uma crise interna apenas para marcar terreno e surgir em melhor posição numa eventual eleição interna posterior às próximas legislativas. "Nunca pensei, nem penso, nem atuo em função de lugares, nem para mim nem para ninguém". 

Já madrugada dentro, Rui Rio reagiu à vitória no Conselho Nacional dizendo ser chegado o tempo para que "remem todos no mesmo sentido".

(Notícia atualizada às 13:15)



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