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“Não há nada de grave no comportamento de Rui Machete”, defende Passos Coelho

Primeiro-ministro entende que Rui Machete apenas quis “apaziguar” as relações com Angola, e garante que não teria aceitado um eventual pedido de demissão, caso ele tivesse sido apresentado.

Portugal perdeu uma 'figura notável', disse o antigo vice-primeiro-ministro Rui Machete, lembrando o papel relevante de Mário Soares na assinatura, em 1985, do Tratado de adesão de Portugal à CEE. Rui Machete, que integrou o governo do Bloco Central então chefiado por Mário Soares, lembrou o antigo líder do PS como um homem corajoso, convicto e determinado que, no período político conturbado a seguir ao 25 de Abril, interveio de forma central para evitar que o país mergulhasse numa guerra civil.
Falando à SIC à entrada do Mosteiro dos Jerónimos, Machete recordou ainda Soares como uma 'pessoa bem-disposta e optimista', sublinhando que muito se deve à 'acção' do antigo líder do PS a entrada do país na CEE.
Machete lembrou as dificuldades que o governo do Bloco Central enfrentou devido à austeridade económica da altura e sublinhou que, apesar da derrota do PS nas eleições legislativas de 1985, Soares disse logo que não ia desistir, tendo, pouco tempo depois, vencido as eleições presidenciais, com 51 por cento dos votos, frente ao candidato Freitas do Amaral.
'É uma figura notável, a quem o país muito deve, que cometeu erros, mas que, pela sua coragem e grande convicção, devemos prestar homenagem', concluiu Rui Machete.
Paulo Duarte/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 09 de Outubro de 2013 às 23:07
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A última pergunta da entrevista que Passos Coelho deu esta quarta-feira à RTP foi sobre o ministro Rui Machete e a polémica que o envolve após as desculpas apresentadas a Angola. Para o primeiro-ministro, das duas questões em que Machete tem sido criticado – a omissão de deter acções do BPN e o pedido de desculpas por causa das investigações – “nenhuma delas é uma circunstância grave”. “Nenhum de nós está livre de ter uma explicação menos feliz”, acrescentou.

 

“Não há nada de grave que, no comportamento de Rui Machete, ponha em causa nem a credibilidade do Governo nem do Estado português”, certificou Passos Coelho. A intenção do ministro dos Negócios Estrangeiros foi “procurar apaziguar a relação com um país muito importante”, um “país irmão” de Portugal, que é Angola.

 

Por isso, Passos Coelho, questionado sobre se teria sido melhor demitir Machete, respondeu “não, seguramente não”. “Mesmo que o ministro, por qualquer razão, tivesse sentido necessidade de sair do Governo, o que não foi o caso, nunca aceitaria oficializar um problema” numa “relação bilateral tão importante” como é a que liga Portugal a Angola.

 

“Não há, na crítica que lhe foi dirigida [a Machete] nada de grave que me levasse a aceitar uma circunstância destas [a demissão]”, garantiu Passos Coelho, considerando que o ministro tem condições para se manter em funções.

 

Passos Coelho lembrou que Rui Machete é um “homem com larga experiência política e com provas de cidadania extraordinárias”, destacando o facto de ter sido líder do PSD “quando em 1983 Mário Soares teve de pedir assistência externa”. Machete “aceitou ser vice-primeiro-ministro e prestar apoio” a esse pedido, recordou.

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