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Nicolás Maduro: "É uma questão de tempo para que o parlamento venezuelano desapareça"

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse esta terça-feira que "é uma questão de tempo" para que o parlamento venezuelano "desapareça", por estar desligado dos interesses do país.

Lusa 17 de Maio de 2016 às 22:40
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"A Assembleia Nacional (AN) da Venezuela perdeu vigor político. É questão de tempo para que desapareça", disse esta terça-feira o Presidente da Venezuela.

 

Nicolás Maduro falava em Caracas, no palácio presidencial de Miraflores, durante uma conferência de imprensa em que vincou que nenhum venezuelano espera algo de bom do actual parlamento.

 

"A AN está desligada dos interesses nacionais. Tenho a certeza que [os parlamentares] vão negar o decreto, porque querem acabar com a vida económica do país, para chegar, com um tapete vermelho a Miraflores", frisou.

 

Nicolás Maduro fazia alusão ao recente decreto presidencial de extensão do estado de "excepção e emergência económica" no país, que precisa da aprovação do parlamento e do Supremo Tribunal de Justiça para entrar em vigor.

 

Por outro lado, explicou que "há um pouquinho de loucura, de desesperação" no parlamento venezuelano, porque a maioria opositora propôs-se alcançar "objectivos inatingíveis", entre eles a realização de um referendo revogatório do mandado do chefe de Estado.

 

"Todos os referendos são uma opção, não uma obrigação. Não estamos obrigados a fazer um referendo no país. São uma opção e tem os seus mecanismos legais para activar-se. Eu repito isso. Os referendos, de qualquer tipo, na Venezuela, são uma bonita opção, mas para que se convertam em realidade necessitam cumprir a lei e os requerimentos", frisou.

 

Segundo Nicolás Maduro, a oposição não quer que o referendo se realize, porque deveria ter feito o pedido a 11 de Janeiro, data em que o mandato do chefe de Estado chegou à metade.

 

"A 11 de Janeiro eles poderiam activar essa possibilidade. O certo é que eles não queriam o referendo. Eles querem um golpe de Estado, uma guerra económica. (...) Não o activaram [o referendo] na data que tinham que activar e fizeram-no entre cotoveladas e pontapés", disse.

 

Questionado sobre o facto de o presidente da Câmara Municipal de Libertador, Jorge Rodríguez, não ter permitido as marchas no centro de Caracas, o chefe de Estado acusou os oposicionistas de quererem "impor a insurreição" na capital.

 

"Aqui pode marchar quem quiser, mas vocês sabem que há planos para converter, em Caracas, essas marchas em eventos insurreccionais. Eles não podem impor a insurreição no país. Se eles querem marchar que o façam de Chacaíto a Altamira [ambas localidades a leste de Caracas]", disse.

 

Segundo Nicolás Maduro, cada vez que a oposição marcha até ao centro de Caracas "há mortos".

 

O presidente da Venezuela denunciou que "está montado um cenário de violência para justificar uma intervenção estrangeira" e acusou a imprensa internacional de estar a apoiar os grupos da "direita" que procuram acabar com a paz no país.

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