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O juiz que disse "jamais" juntou-se a Bolsonaro

Sergio Moro, o juiz da Lava Jato, aceitou o convite de Jair Bolsonaro para ser o novo ministro da Justiça do Brasil. O presidente eleito garante "total liberdade", mesmo que "viesse a mexer" com a sua família.

Reuters
André Veríssimo averissimo@negocios.pt 01 de Novembro de 2018 às 18:29
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O presidente eleito do Brasil fez um convite público: disse que queria Sergio Moro como ministro da Justiça. O juiz da "Lava Jato", a operação anti-corrupção que colocou o antigo Presidente Lula da Silva atrás das grades, disse que sim após conversar com Jair Bolsonaro em sua casa. A decisão é polémica.

 

Sergio Moro, figura de proa  da maior operação contra a corrupção no Brasil, que levou donos e gestores de algumas das maiores empresas do país a prestar contas à justiça – e não hesitou em fazer o mesmo com altos responsáveis políticos, incluindo dois ex-Presidentes, – é um herói popular no Brasil, mesmo que não consensual. Jair Bolsonaro conseguiu trazê-lo para o seu Governo.

 

A decisão de Sergio Moro revela um mudança total de opinião da parte do juiz, que em várias ocasiões rejeitou liminarmente o exercício de cargos políticos. "Não. Jamais. Sou um homem de justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem de política", afirmou numa entrevista ao Estado de São Paulo, em 2016. Também ao Expresso, em Junho de 2017, negou essa pretensão: "Sim, já repeti várias vezes. Não existe nenhuma possibilidade".

 

A possibilidade surgiu e Sergio Moro apanhou-a. A Folha de São Paulo criticava, em editorial, a decisão: "Ao se aproximar do novo governo, Sergio Moro perde a isenção necessária para seguir à frente da Lava Jato". Moro já anunciou que não participará em mais sessões de julgamento do caso, que segundo analistas brasileiros fica fragilizado com a sua saída.

 

"A perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão", escreveu Moro num comunicado.

 

Segundo o Estado de São Paulo, só as penas dadas por Moro a réus da Lava Jato somavam 1860 anos de prisão em Março. Até Outubro já tinham sido condenadas 140 pessoas.

 

Moro vai liderar um dos superministérios que Bolsonaro pretende criar, unindo a Justiça com a Segurança Pública, o que lhe dará a coordenação também da Polícia Federal. O presidente eleito já garantiu "total liberdade", "mesmo que viesse a mexer com alguém da minha família no futuro".

 

O juiz, que assim termina 22 anos de magistratura, foi o quinto ministro a ser anunciado depois de Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), general Augusto Heleno (Defesa) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

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