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O rosa choque a destoar numa cerimónia marcada pelos tons de azul e vermelho

A cerimónia de entrada em funções do XXII Governo Constitucional teve muitos governantes para empossar, mas poucas pessoas a assistir, pelo menos do lado de fora do Palácio Nacional da Ajuda. Sem familiares no Governo, o Executivo mostrou espírito de família e até nas cores escolhidas houve sintonia.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 26 de Outubro de 2019 às 17:43
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Muitos altos representantes do Estado, políticos, assessores, jornalistas e elementos das forças de segurança. Assim se compôs o grande aparato preparado para a investidura do XXII Governo Constitucional.

A contrastar, bastavam os dedos de um par de mãos para contar os cidadãos anónimos que, este sábado, saíram mais cedo da cama para assistir à cerimónia da tomada de posse do novo Executivo liderado por António Costa.

Os poucos "curiosos" que se deslocaram até ao alto onde desponta o Palácio Nacional da Ajuda foram recompensados pelo dia primaveril trazido pelo outono, colorido com raios de sol e pontuado por nuvens que, lentamente, se iam levantando lá ao fundo do Tejo.

Também lenta, e nominalmente, um a um se foi empossando o maior elenco governativo da democracia. Por 70 vezes se ouviu a lengalenga "eu, abaixo assinado(a), afirmo solenemente pela minha honra que cumprirei, com lealdade, as funções que me são confiadas", repetida pelo primeiro-ministro, pelos 19 ministros e pelos 50 secretários de Estado.

Eram 10:25 quando António Costa, ainda na qualidade de primeiro-ministro cessante, chegou ao Palácio da Ajuda, logo seguido de Ferro Rodrigues, que esta sexta-feira foi reeleito Presidente da Assembleia da República.

Quatro minutos bastaram para que também Marcelo Rebelo de Sousa entrasse na Sala dos Embaixadores. Do terceiro para o mais alto cargo da ordem constitucional, a chegada do Presidente da República cumpriu o protocolo seguido à risca e, assim, à hora marcada (10:30) teve início a cerimónia oficial, com os elementos do novo Governo alinhados à direita da sala, à espera de assumirem funções.

À esquerda sentaram-se altas figuras institucionais, familiares e amigos próximos dos novos governantes. Nessas cadeiras cuidadosamente colocadas em equidistância lá surgiam bem próximos os filhos e a mãe de António Costa ou ainda as filhas e uma amiga dos tempos da faculdade da agora ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque.

O "desalinhamento" de Van Dunem

A sintonia na lealdade e cooperação institucional mutuamente prometidas por Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa teve continuidade no azul claro das gravatas que ambos escolheram usar.

O vermelho vivo foi a segunda cor mais vista, das gravatas de João Gomes Cravinho, Tiago Brandão Rodrigues, Mourinho Félix e António Mendonça Mendes até ao estilo clássico do blazer de Graça Fonseca. Mas ao nível da indumentária, se alguém deu nas vistas foi a reconduzida ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, e o seu vestido cor-de-rosa choque.

Um a um para o começo, todos juntos na partida

Não eram ainda 10:00 e já os futuros governantes, os que continuam e os que se estreiam, chegavam, a conta-gotas, ao Palácio da Ajuda. E se a chegada foi feita quase sempre individualmente, também a tomada de posse foi avançando ao ritmo um a um.

Sem surpresas e porque, nestas coisas, as regras protocolares são para se cumprir, António Costa foi o primeiro a ser empossado, seguindo-se o núcleo duro reforçado do novo Executivo: Pedro Siza Vieira (número dois do Governo), Augusto Santos Silva, Mariana Vieira da Silva e Mário Centeno.

O que também não causou nenhuma surpresa foi a ausência do PCP, que, cumprindo a tradição, se mostrou uma vez mais avesso a cerimónias de tamanha solenidade. Entre aqueles que marcaram presença, o vice-presidente do PSD, David Justino, foi o mais notado, não pelo que disse, mas devido ao silêncio que manteve.

Questionado sobre a disponibilidade dos sociais-democratas para fazer "pontes" com o Governo do PS, Justino remeteu o assunto para Pedro Nuno Santos, o ministro das Infraestruturas que à tutela das pontes juntou agora os portos.

Já sem portos e, sobretudo sem Ministério do Mar, Ana Paulo Vitorino não faltou, mesmo assim, à ocasião, podendo ver de perto a recondução em funções do marido Eduardo Cabrita. Para destoar, o casal chegou e entrou junto no palácio. Mas já para não destoar, também a ex-ministra apostou no vermelho vivo.

Quem também não quis destoar na forma como chegou e partiu da Ajuda foi a nova ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública. Para dar uma ajuda ao ambiente, Alexandra Leitão chegou a bordo de um carro elétrico e partiu num dos dois autocarros movidos a gás natural destacados pela Carris para o efeito.

Foto de família... sem familiares

Era já bem perto das 13:00 quando, após longos minutos de cumprimentos formais pela entrada em funções, todo o extenso elenco governativo seguiu para uma breve viagem até Campo de Ourique a fim da realização do primeiro Conselho de Ministros e posterior aprovação do programa de Governo.

Já chegados à Rua Professor Gomes Teixeira, a entrada do edifício da Presidência do Conselho de Ministros foi palco da tradicional fotografia de família do Governo que, desta feita e depois das polémicas da última legislatura, deixou de ter membros da mesma família no seu seio. Nada que, a contar com estes primeiros instantes, tenha retirado o espírito de família do novo Governo.  

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