Política Obama dançou, tomou mate e reconheceu os erros dos EUA na Argentina

Obama dançou, tomou mate e reconheceu os erros dos EUA na Argentina

No final do programa da visita oficial de dois dias, o Presidente visitou um memorial aos mortos da ditadura argentina e admitiu falhas: "Fomos lentos em reconhecer a questão dos direitos humanos".
Obama dançou, tomou mate e reconheceu os erros dos EUA na Argentina
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 24 de março de 2016 às 14:42

O Presidente norte-americano Barack Obama terminou esta quinta-feira a sua visita oficial de dois dias à Argentina com uma homenagem aos mortos da denominada "Guerra Suja", o período por que ficou conhecida a ditadura militar vigente entre 1976 e 1983 e que terá causado 30 mil mortos.

"É preciso coragem para uma sociedade aborde as incómodas verdades do seu passado. Para enfrentar crimes cometidos pelos seus próprios líder contra o povo pode ser frustrante. É essencial seguir em frente para construir o país", afirmou Obama na sala "Presentes, Agora e Sempre" no memorial aos mortos, no dia em que se cumprem 40 anos depois do início da ditadura militar.

Obama reconheceu mesmo as polémicas que envolvem o comportamento dos Estados Unidos no passado em relação ao respeito pelos direitos humanos no mundo e garantiu que os EUA estão a reflectir em relação ao seu próprio passado. Henry Kissinger, secretário de Estado norte-americano nos anos 70, teria tido conhecimento da acção da Junta Militar contra os denominados "terroristas".

"Tem havido controvérsia sobre as políticas dos Estados Unidos nesses dias negros. (...) As democracias têm de ter a coragem de reconhecer quando não vivem à altura dos ideais que defendem, e que fomos lentos em defender os direitos humanos e esse foi o caso aqui", afirmou o Presidente norte-americano, que prometeu desclassificar mais documentos na posse dos EUA, também de ordem militar e dos serviços de inteligência, sobre a época da ditadura militar.

"Não podemos esquecer o passado, mas quando encontrarmos a coragem para confrontar e mudar o passado, construímos o futuro", afirmou, depois de reconhecer todos os que nos últimos anos procuraram conhecer a verdade: pais, cônjuges, irmãos e filhos das vítimas e os cientistas, jornalistas e diplomatas envolvidos nos esforços das mães da Praça de Maio, que viram os seus filhos desaparecer nos anos da ditadura.

Na véspera, no primeiro dia da visita e na conferência de imprensa conjunta com o Presidente argentino Mauricio Macri, Obama elogiou o Chefe de Estado e disse que os EUA estão preparados para trabalhar com a Argentina.

"Macri impressionou-me favoravelmente. Foi rápido em realizar reformas que geram crescimento económico. A Argentina está a ocupar o seu papel na região. Macri é um exemplo para os países da região", disse Obama na declaração conjunta com o Presidente, onde também se referiu vagamente à gestão que Macri fez na disputa com os fundos especulativos com quem acabou por chegar a acordo no final de Fevereiro.

"A abordagem construtiva de Macri abriu a possibilidade para que haja una solução para estabilizar a situação financeira", disse.

Depois de ter feito a primeira visita de um Presidente norte-americano a Cuba em 88 anos, Obama voltou a sublinhar que apesar de "algumas das ideologias, das disputas do passado", é preciso saber olhar para lá desses episódios que dividiram a América Latina e os EUA.

Depois, dizendo-se "um fã da cultura Argentina", anunciou "orgulhosamente" que tinha provado mate (a bebida nacional) pela primeira vez como faziam escritores que lia na juventude, como Borges ou Cortázar.

"É muito bom. Talvez leve algum para casa comigo quando regressar aos Estados Unidos. Não sei que regras de importação e exportação estarei a violar. Mas normalmente posso fazer o que quero no Air Force One [avião presidencial]", disse, entre risos da plateia. Antes, perante empreendedores, disse que o seu staff o tinha achado muito "clarividente" e que isso se deveria à erva com que se faz a bebida.  

À noite, já no Centro Cultural Kirchner – obra da sua antecessora Cristina Kirchner na Presidência – e perante uma plateia de 500 convidados entre políticos, desportistas e actores, Obama e a mulher Michelle foram desafiados a dançar por profissionais do tango. 





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