Política Passos: Desigualdade de rendimentos "não é de esquerda nem de direita"

Passos: Desigualdade de rendimentos "não é de esquerda nem de direita"

O líder do PSD dá seguimento aos alertas de Belém e avisa que países como Portugal só podem esperar mais solidariedade no quadro europeu se mostrarem disciplina e ímpeto reformista.
Passos: Desigualdade de rendimentos "não é de esquerda nem de direita"
António Larguesa 04 de maio de 2017 às 16:36

Pedro Passos Coelho defendeu esta quinta-feira, 4 de Maio, que os governos devem olhar com mais atenção para a desigualdade de rendimentos e para a insatisfação do eleitorado quanto aos resultados dos gastos com despesas sociais. 

 

"Temos de estar preparados para agir na função redistributiva da nossa sociedade", referiu o presidente do PSD, depois de salientar os dados sobre a riqueza detida por apenas 1% da população. E reforçou que "este é um problema para toda a gente e não [exclusivo] dos partidos da esquerda, do centro ou da direita". 

 

Na abertura de um seminário sobre o futuro da Europa, organizado no Porto pelo Partido Popular Europeu (PPE), o líder do PSD diagnosticou que também ao nível da despesa social "os países não podem gastar mais e o resultado [actual] não é satisfatório para a maior parte das pessoas".

 

A necessidade de se produzir mais e repartir melhor a riqueza foi precisamente um dos principais alertas deixados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no discurso que proferiu nas cerimónias do 25 de Abril, na Assembleia da República. 

 

Elogiando aquela que foi a resposta dada pela Europa à crise económica e financeira - "há quatro anos as pessoas apostavam no fim do Euro, agora ninguém quer entrar nesse jogo" -, o antigo primeiro-ministro insistiu, por outro lado, que "é preciso agora encontrar alternativas à política monetária", já que "o BCE não pode continuar durante muitos mais anos a apoiar o crescimento se os Estados-membros não implementarem uma forte agenda reformista". 

 

Europa minimalista ou federal? Na intervenção feita em inglês numa das salas do Palácio da Bolsa, Pedro Passos Coelho preferiu antes falar de "países mais disciplinados e solidários", alegando que um dos pilares - o da solidariedade - só cresce se for feito algo no outro, ou seja, ao nível da disciplina. 

 

O líder do maior partido da oposição reclamou neste fórum que "não se perca tempo, à espera de uma nova crise, para reconhecer o falhanço do quadro institucional" da Zona Euro, que "é impossível de sustentar sem alguma capacidade orçamental". "Podemos discutir qual a capacidade e como fazê-lo, mas temos de a ter para evitar problemas nos próximos anos. (...) Precisamos de algo para actuar entre os países que partilham os mesmos problemas", resumiu. 

 

E numa fase em que a Europa enfrenta "tensões severas", que vão desde o Brexit à tensão com a Rússia, Passos considerou ainda que "não é tarde para falar de uma união financeira" que está "longe de ser alcançada", frisando que "vamos precisar dela se queremos reduzir os riscos dentro da União Europeia e da Zona Euro e se queremos partilhá-los com o mercado, em vez de fazê-lo com os contribuintes". 




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