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Passos Coelho admite reembolsar FMI mais cedo mas as condições de mercado ainda não são favoráveis

O caso irlandês é um "bom princípio" para Portugal, mas as condições de mercado ainda não são tão favoráveis a Lisboa como a Dublin, disse o primeiro-ministro durante a visita oficial à Grécia. Governo vai ponderar a decisão nos próximos meses.

Miguel Baltazar/Negócios
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 09 de Setembro de 2014 às 13:18
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Portugal pode vir a seguir o exemplo da Irlanda e antecipar o pagamento do empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), com o objectivo de reduzir os custos com os juros.

 

O caso irlandês é um "bom princípio" para Portugal, mas  as condições de mercado ainda não são tão favoráveis a Lisboa como a Dublin, disse Pedro Passos Coelho esta terça-feira, 9 de Setembro, citado pela Bloomberg.

 

De visita oficial à Grécia, o primeiro-ministro sublinhou, contudo, que as taxas de juro que o Fundo cobra à Irlanda são mais elevados que os cobrados a Portugal.

 

Lisboa ainda não decidiu se irá seguir o exemplo de Dublin, mas que no futuro irá colocar os pratos na balança para ponderar sobre um possível pagamento antecipado, sinalizou Passos Coelho.

 

Já a Irlanda, com o pagamento antecipado de 15 mil milhões de euros à instituição liderada por Christine Lagarde, quer poupar 375 milhões de euros por ano.

 

Dublin paga 5% de juro sobre estes 15 mil milhões de euros e com os juros a registarem mínimos históricos de 1,667%, o Executivo de Enda Kenny acredita que este é o melhor caminho a seguir.

 

Dos 78 mil milhões de euros que Portugal pediu emprestado à troika, o FMI assegurou um terço. A previsão actual do IGCP é que, aos 26,35 mil milhões de euros emprestados pelo FMI com uma maturidade média de 7,24 anos, fique associado um custo de 3,4%. A título de comparação: na passada quarta-feira, o Estado português obteve junto dos investidores 3,5 mil milhões de euros a 15 anos, pagando uma taxa de juro em torno dos 4% por essa nova dívida. No mercado secundário, onde se trocam os títulos de dívida já emitidos, a taxa de rendibilidade das obrigações a dez anos ronda hoje 3,157%.

 

O Governo irlandês anda a realizar um esforço diplomático junto das autoridades europeias para tentar obter a sua autorização para antecipar o pagamento ao FMI.

 

O Fundo de Christine Lagarde já deu luz verde a Dublin, mas sendo a troika igualmente composta pelo Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia é necessário estas instituições autorizarem a operação.

 

De visita a Bruxelas, o ministro das Finanças irlandês encontrou-se na segunda-feira, 8 de Setembro, com o comissário europeu para os assuntos económicos e monetários Jyrki Katainen. 

 

No final do encontro, Michael Noonan revelou que a intenção de Dublin tinha sido bem recebida pelo responsável comunitário e que esperava agora por conhecer os detalhes em pormenor do plano celta.

 

O Executivo de Pedro Passos Coelho já tinha sinalizado a iniciativa de Dublin como uma "opção que tem valor" para Portugal, disse a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, durante o fim-de-semana.

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