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Passos disse a Juncker que "a dignidade de Portugal e dos portugueses nunca esteve em causa"

O primeiro-ministro reforça a ideia de que a dignidade de Portugal nunca esteve em causa no programa de ajustamento. Se alguém a pôs em causa, foi o PS quando chamou a troika, acusou. E o Governo até divergiu dos credores, garantiu Passos.

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Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 20 de Fevereiro de 2015 às 11:36
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Passos Coelho falou com Jean-Claude Juncker a propósito das declarações do presidente da Comissão Europeia sobre o impacto da troika na dignidade de Portugal. "A dignidade de Portugal nunca esteve em causa durante o programa de ajustamento. E a dignidade dos portugueses também não. Tive ocasião de o dizer directamente ao presidente da Comissão Europeia", afirmou Pedro Passos Coelho, no debate quinzenal que decorre esta manhã na Assembleia da República.

 

No entender do primeiro-ministro, estas são "duas coisas que nunca deviam ter sido misturadas: uma é a forma como as soluções da troika funcionaram em termos de programa de ajustamento, outra é o mecanismo de funcionamento institucional

Nunca teríamos permitido que a dignidade dos portugueses fosse atingida, e não foi atingida.
 
Pedro Passos Coelho
Primeiro-ministro

da troika, tal como foi abordado pelo presidente da Comissão". Ora, "nada disto deve ser misturado com a dignidade dos povos ou do Governo. São coisas totalmente diferentes", defendeu.

 

"Nunca teríamos permitido que a dignidade dos portugueses fosse atingida, e não foi atingida", garantiu o primeiro-ministro. E, honra seja feita ao Governo, pediu Passos, o Executivo até divergiu com a troika. "É preciso sublinhar que não é novo o balanço crítico que é feito do enquadramento institucional da troika; nunca ninguém o quis sequer disfarçar", reconheceu. "Tivemos várias divergências, no plano institucional e substancial", acrescentou.

 

Depois de ser interpelado por Ferro Rodrigues, Passos Coelho lançou as culpas para o PS. "Se a dignidade a esse plano nacional pode ser atingida pela troika, não é por quem cumpre o que foi tratado, foi por quem teve de a chamar por não conseguir" resolver os problemas. "Se é esse o plano em que quer fazer a discussão estou muito à vontade para o fazer", afirmou Passos Coelho.

 

Passos atribui a Gaspar frase de Marco António – outra vez

 

E socorreu-se até de Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças. "Recordo a afirmação de Vítor Gaspar aqui no Parlamento, a propósito de declarações proferidas pela Directora-Geral do FMI, referindo como ‘sendo reveladoras da hipocrisia institucional que reina em algumas instituições da troika’". Ora, uma vez mais, Passos Coelho atribuiu a Gaspar uma declaração proferida por Marco António Costa em Setembro de 2013.

 

Troika negociou sempre com Portugal

 

"Tivemos muitas divergências, enfrentámos muitas dificuldades, e apresentámos, porque nunca deixámos de o fazer, às instâncias políticas a quem a troika prestava evidentemente as conclusões do seu trabalho, ou seja, ao presidente do Eurogrupo, ao presidente da Comissão Europeia, ao presidente do BCE, à directora-geral do FMI" diversas exigências.

 

"Com todos tivemos relações directas no plano político e institucional, e tivemos sempre o cuidado, mesmo atendendo às dificuldades desta relação, de nunca iniciar um review em Portugal sem antes negociar com as lideranças", garantiu Passos Coelho. "Nunca a troika impôs uma solução a Portugal que não tivesse sido resultado de negociação, com este Governo ou com outro".

 

Passos garante que Portugal fez sempre valer as suas visões. "Nunca deixamos, perante os presidentes da Comissão, BCE, Eurogrupo ou FMI, de expor os nossos pontos de vista e de conseguir alterar matérias que eram politicamente relevantes e essenciais para o sucesso do programa", afiançou.

 

E "se o fizemos foi justamente porque também conseguimos conquistar a credibilidade e confiança suficiente para alterar várias das questões contratualizadas".

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