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Passos: Projectos de investimento "estão na gaveta porque não há dinheiro"

O líder do PSD acusa o Governo de estar a tirar "dinheiro do investimento público que estava programado, para sustentar a retórica que a austeridade acabou". E reiterou compromissos com quem "anda à pedrada".

4º Passos Coelho, 1022 notícias - Passou de chefe do Governo a líder da oposição, mas continuou no centro da actualidade. Em quarto lugar, Passos Coelho é o primeiro com mais de mil notícias no Negócios este ano.
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 13 de Setembro de 2016 às 14:16
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O presidente do PSD aproveitou o encerramento das Jornadas Parlamentares do PSD para criticar de forma violenta a actuação do actual governo e dos partidos que o apoiam, considerando que a solução governativa está "hoje bloqueada na capacidade de poder executar qualquer reforma" que traga melhores perspectivas para o futuro.

 

Além das críticas, Passos Coelho deixou também uma acusação ao Governo de António Costa, afirmando que o Governo está a atrasar projectos de investimento público devido à falta de dinheiro.

 

O Governo adoptou a "conversa que podemos pagar menos impostos e que isso não custa nada aos cidadãos" e que "tudo pode correr melhor", mas "depois vemos a realidade e não corresponde com esta retórica".

 

Passos citou vários casos de insatisfação que lhe foram relatados numa visita recente a Viseu para falar de "dezenas de projectos [de investimento público] que estavam previstos e cabimentados e não se realizam. Estão na gaveta porque não há dinheiro".

 

O líder do PSD concretizou que a receita da contribuição rodoviária não está a ser afecta à Infraestruturas de Portugal, "que assim não pode fazer os projectos que estavam programados". Segundo Passos, o Governo está a "empurrar com a barriga" os projectos de investimento público.

 

O Governo aumentou o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) "como nunca no passado e tira-se o dinheiro do investimento público que estava programado, para sustentar a retórica que a austeridade acabou e que o governo é mais amigo das pessoas e teremos uma economia melhor".

 

Mas "afinal a economia está a crescer metade do registado no ano passado e o investimento a cair significativamente e o milagre do consumo não sustenta o crescimento económico", acusou Passos Coelho.

 

O líder do PSD acusou ainda o Governo de viver do "instantâneo, do dia-a-dia com uma fé inesgotável na capacidade de improvisar para lidar com o futuro".

 

"Quem quer fazer compromissos não anda à pedrada"

 

"Não devemos estar muito preocupados em ganhar o debate instantâneo. Devemos estar preocupados num horizonte razoável", pediu Passos aos deputados do PSD, afirmando que "não faremos a diferença se seguirmos o caminho que está a ser seguido agora", sendo que é "difícil maximizar mais os riscos do que está a acontecer agora".

 

"Não vale a pena investir e ser habilidoso numa retórica que passe melhor", sendo que a "retórica predominante choca com a realidade e faz de conta que as restrições não existem" e "cria nas pessoas a ilusão que as restrições no passado eram falsas".

 

"Em Portugal estamos a andar para trás. Se em 2017 as opções se mantiverem, será mais um sinal de retrocesso", disse Passos, afastando um cenário de compromisso do PSD com o actual Governo.

 

Passos acusou o Governo e o PS de ter um "comportamento revanchista no Parlamento e fora dele", sendo que "não podemos fazer compromissos com quem rompe com políticas importantes que o país se sacrificou a fazer a pensar no futuro".

 

"Quem quer fazer compromissos não anda à pedrada. Quem anda a procura de compromissos anda a ver com cuidado onde nos podemos entender", afirmou Passos Coelho, na discurso transmitido pela RTP 3.

 

Passos criticou ainda a participação de António Costa na cimeira dos países do Sul da Europa. A "melhor maneira de mudar a Europa era cada um assumir as suas responsabilidades. Cada um sacudir a água do capote é uma coisa que pode render alguma simpatia dentro do país mas não arranja uma única boa vontade em lado nenhum. Não é a andar à pedrada aos outros países que resolvemos o problema da Europa. Não é a cavar o fosso entre Sul e Norte e Este e Oeste que se resolve o problema da Europa".

 

"Se o país esta bloqueado porque a solução política não quer reformar nada e viver com a ilusão que não temos restrições, só o PSD pode hoje oferecer uma solução de reformar o país para o futuro", disse Passos Coelho, reiterando que a "retórica da austeridade está esgotada".

"É connosco que que os portugueses sabem que podem contar quando for preciso efectuar reformas", concluiu Passos, afirmando que a "nossa missão não é agradar. É reformar para por o país num nível de bem-estar superior".

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