Política Paulo Portas sugere que Europa aproveite saída dos EUA do Tratado Transpacífico

Paulo Portas sugere que Europa aproveite saída dos EUA do Tratado Transpacífico

O ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas sugeriu hoje em Leiria que a Europa deveria aproveitar a "vaga" deixada pelos Estados Unidos, que saíram do Tratado Transpacífico de Comércio Livre.
Paulo Portas sugere que Europa aproveite saída dos EUA do Tratado Transpacífico
Lusa 17 de março de 2017 às 14:41

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, decidiu em Janeiro pôr fim à participação do país no Tratado Transpacífico de Comércio Livre, assinado em 2015 por 12 países da Ásia-Pacífico que representam 40% da economia mundial.

 

"Porque é que os europeus não vão procurar ocupar o espaço que os americanos deixaram vazio? Porque é que os europeus não consideram uma prioridade fazer comércio com economias altamente dinâmicas do Pacífico, ocupando o espaço que os americanos deixaram vago", questionou Paulo Portas, durante a primeira edição do Leiria Centro Exportador.

 

O agora consultor da construtora Mota-Engil e de uma filial em Espanha da petrolífera mexicana PEMEX considerou que a globalização também é aproveitar a oportunidade de "quem deixa um espaço vago".

 

Durante um discurso centrado na globalização, Paulo Portas frisou por várias vezes os benefícios da mesma e criticou a Europa por perder várias oportunidades, situação exemplificada pelo crescimento "medíocre" de 1,5% do continente.

 

O antigo líder do CDS socorreu-se de vários 'tópicos', nomeadamente de maiores portos, aeroportos e empresas industriais e de base tecnológica, para demonstrar que a Europa não está no centro da economia mundial, sublinhando a importância de mercados emergentes na Ásia, África e América Latina.

 

A preponderância de empresas americanas e asiáticas no sector da economia digital "é um soco no estômago para os europeus", notou, vincando que a Europa arrisca-se a perder "o campeonato da economia com mais futuro".

 

"A economia vai ser cada vez mais assim: não há decreto ou manifestação que pare o avanço tecnológico", salientou, voltando a abordar a questão da automação da economia - um assunto a que já tinha feito referência no início do mês, no Porto.

 

Para o ex-vice-primeiro ministro, a digitalização e automação dos processos que tornam dispensável a intervenção humana deveriam ser a principal preocupação e não a globalização.

 

"Como é que vamos organizar as nossas sociedades do ponto de vista da relação com o trabalho, da mudança do mercado de trabalho, da relação com o tempo disponível e do planeamento da sustentabilidade dos sistemas sociais? Nós não vamos parar a automação", frisou Paulo Portas, afirmando que se deveria pensar em como a sociedade vai organizar o tempo de trabalho.

 

No final do discurso, Paulo Portas recusou-se a prestar quaisquer declarações aos jornalistas, dizendo que não é da política e que não faz declarações políticas. 

 




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