Política Paulo Portas pode abandonar presidência do CDS/PP

Paulo Portas pode abandonar presidência do CDS/PP

Numa altura em que está reunida a Comissão Executivo do CDS/PP, a CMTV avança que Paulo Portas pode abandonar a presidência do partido. O congresso – electivo – dos centristas tem lugar este fim-de-semana. O ainda ministro fala hoje ao país.
Paulo Portas pode abandonar presidência do CDS/PP
Bruno Simão/Negócios

A CMTV avançou há poucos minutos que Paulo Portas pode abandonar a presidência do CDS/PP. Portas apresentou esta terça-feira o seu pedido de demissão como ministro de Estado e dos Negócios Estrageiros – pedido que não foi aceite por Pedro Passos Coelho.

 

A decisão de Portas surpreendeu muitos membros do partido e já foi alvo de duras críticas por parte de dois responsáveis do CDS, como Ribeiro e Castro e Filipe Anacoreta.

 

Filipe Anacoreta afirmou esta quarta-feira que a decisão de Paulo Portas é uma “decisão irreflectida, incoerente e totalmente irresponsável". Para o líder da tendência Alternativa e Responsabilidade (AR) do CDS-PP, a demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros "contradiz" o que o presidente dos centristas defendeu na sua moção ao Congresso e "atira o País para uma crise de enorme gravidade", que "põe em causa provavelmente os sacrifícios dos portugueses ao longo destes anos".

 

Filipe Anacoreta apelou assim ao CDS/PP para que não “caia com o seu líder”. “Há que fazer um apelo aos governantes, aos dirigentes, aos principais responsáveis, para que não se precipitem, dêem a voz ao partido", afirmou.

 

"Nós temos, por coincidência ou não, um congresso marcado para daqui a três dias, é a reunião magna, e no meu entender é a altura adequada para o partido se pronunciar e para tentar não seguir nesta precipitação para que o líder nos conduziu", sublinhou Anacoreta que não colocou de parte a hipótese de se candidatar à presidência do partido.

 

Questionado se o partido deve continuar a apoiar o Governo sem Paulo Portas, Filipe Anacoreta respondeu: "Acho que nós temos que fazer todo o esforço para pôr o País acima do partido e as circunstâncias pessoais de cada um subordinadas ao interesse do partido e ao interesse do País. Foi assim que o doutor Paulo Portas sempre afirmou que faria e é isso que nesta altura nós temos também que fazer".

 

Além de Filipe Anacoreta, também o antigo líder do partido Ribeiro e Castro criticou, publicamente, a decisão de Paulo Portas. “Estou completamente surpreendido [com a demissão de Paulo Portas] porque ontem [segunda-feira à noite] estive no Conselho Nacional do partido e nada fazia antecipar que estivéssemos na iminência de uma crise desta dimensão”, disse o antigo líder do CDS/PP, visivelmente desconfortável com a decisão de Paulo Portas.

 

“A informação devia ter sido dada ontem”, disse o deputado centrista, acrescentado que “não vê razões para adiar um esclarecimento” por parte da direcção do partido.

 

Perplexos. Desiludidos. Em estado de choque. Destroçados. Traídos.

 

O "Expresso" online cita, por seu turno, vários dirigentes centristas que se dizem "perplexos", "desiludidos", "em estado de choque", "destroçados" e "traídos" para descrever o estado de espírito na ressaca da demissão de Paulo Portas. Escreve o jornal que "responsáveis centristas - vários deles convocados para a reunião de hoje da comissão executiva do partido - não escondem a incredulidade com a decisão de Portas, tomada de forma unilateral, sem ouvir nenhum colaborador", pelo que a reunião do núcleo restrito da direcção do CDS, convocada por Portas, servirá, antes de mais, para o líder do partido se explicar. "O Paulo tem de explicar o que fez e porque fez".

 

A promoção da até agora secretária de Estado do Tesouro ao lugar de Vítor Gaspar foi o pretexto referido por Portas para se demitir. O líder do CDS queria um outro nome – possivelmente Paulo Macedo, ministro da Saúde – para a pasta das Finanças.

 

Na carta de demissão que ontem tornou pública menos de duas horas antes da tomada de posse da nova ministra, o líder do CDS diz que "são conhecidas as diferenças políticas que tive com o Ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo Primeiro-Ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual". Contudo, "o Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo".

 

O gabinete de Passos Coelho esclareceu ontem que a escolha de Maria Luís fora comunicada a Portas no passado sábado, tendo o ministro de Estado discordado mas acatado uma opção que se insere na esfera de competências do primeiro-ministro. 

 

Líder CDS-PP/Madeira apoia Portas e diz que Governo não tem condições para continuar

 

O líder do CDS-PP/Madeira, José Manuel Rodrigues, manifestou à entrada para a Comissão Executiva dos centristas, o seu apoio ao "indiscutível" presidente do partido, defendendo que o actual Governo "não tem condições para continuar".

 

"É necessário um novo Governo, que pode ser encontrado no quadro da Assembleia ou através de eleições", afirmou o ex-deputado democrata-cristão, citado pela agência Lusa.

 

Já a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e o porta-voz do CDS, João Almeida, escusaram-se a prestar declarações aos jornalistas à chegada à sede do partido, no Largo do Caldas, em Lisboa.

 

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, e os deputados Hélder Amaral, Telmo Correia e Teresa Caeiro foram outros dirigentes que já chegaram à sede do partido, onde Paulo Portas se encontra desde manhã cedo.

 

Fonte da direcção do CDS disse que no final da reunião da Comissão Executiva haverá uma conferência de imprensa para divulgar as conclusões, não estando confirmado se será feita pelo presidente do partido.

 

(Notícia actualizada às 14h08)




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