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Poiares Maduro: O futuro depende de uma melhoria da nossa cultura política

O ministro adjunto defendeu esta quarta-feira que o futuro de Portugal depende essencialmente de uma melhoria da cultura política nacional, no sentido de mais debate de ideias em vez de 'slogans' e mais disponibilidade para compromissos.

Bruno Simão/Negócios
Lusa 11 de Setembro de 2013 às 17:13
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Durante um almoço-debate sobre "Os desafios do futuro", promovido pelo "International Club of Portugal", num hotel de Lisboa, Miguel Poiares Maduro sustentou que Portugal não fez as reformas necessárias para se adaptar ao espaço da moeda única, nem se deu conta disso até ao pedido de resgate financeiro de 2011, e responsabilizou a cultura política.

 

"Podemos descrever a nossa década perdida em termos económicos, mas a explicação mais profunda, a razão para não termos feito o que devíamos e nem sequer nos termos, em boa parte, apercebido disso, tem de ser encontrada na nossa cultura política", afirmou o ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional.

 

"Enquanto o euro nos oferecia uma falsa sensação de conforto e optimismo, o nosso espaço público foi incapaz de notar que aspectos fundamentais da nossa economia e da nossa sociedade estavam em crise, que divergíamos da Europa e que a situação era insustentável", reforçou.

 

Miguel Poiares Maduro questionou se, mesmo hoje, existe uma efectiva percepção da realidade: "Por vezes, no debate público, poder-se-ia ficar com a impressão de que não compreendemos ainda, muitos de nós, a gravidade e dimensão real dos desafios a superar".

 

O ministro alegou que "os estados com maior capacidade de adaptação e crescimento são também aqueles que têm uma melhor cultura política", defendendo: "O futuro depende essencialmente da melhoria que temos de conseguir na nossa cultura política".

 

Quanto ao que entende que deve mudar na cultura política portuguesa, adiantou: "Temos de discutir mais políticas públicas e menos táctica política. Defendo que todos, incluindo o Governo, devemos contribuir para um debate público mais informado e com maior substância".

 

Segundo o ministro, "os cidadãos sentem-se crescentemente desorientados quanto à realidade em que as opções políticas têm de ter lugar", em grande parte pela falta de "acordo quanto aos processos credíveis de apuramento dos factos" em que se baseiam as decisões políticas.

 

Como exemplo, apontou a discussão sobre "pensões de sobrevivência", alegando que é feita como se fossem "pensões para garantir a sobrevivência", quando são pensões "para quem sobreviveu ao cônjuge".

 

Miguel Poiares Maduro insistiu, depois, que "nenhum actor político responsável pode excluir a procura do consenso, sob pena de eliminar uma dimensão fundamental da política".

 

"Temos de ter uma cultura política correspondente à democracia que alcançámos e ao futuro que desejamos. Uma cultura política em que as ideias sejam discutidas em vez de ser substituídas por 'slogans'. Uma cultura política aberta e transparente. Uma cultura política susceptível incorporar os interesses de longo prazo nas decisões de hoje", acrescentou.

 

"Uma cultura política que favoreça escolhas informadas pela plena assunção das implicações que elas acarretam, capaz de reflectir a realidade fundamental de que não há escolhas sem custos, porque os recursos são escassos, de que há interesses diferentes em jogo e que o interesse geral se encontra no compromisso negociado com base em princípios e não exclusão dos mais imperfeitamente representados", prosseguiu.

 

"Este é e continuará a ser o esforço do Governo. Porque sabemos que sem uma melhor cultura política as reformas que pretendemos serão mais difíceis e, sobretudo, menos sustentadas. Porque sabemos que, se o fizermos, teremos maiores possibilidades de demonstrar que, hoje, quando tudo parece bem mais difícil do que nos anos aparentemente felizes da década de 90 e nos primeiros anos de 2000, há, paradoxalmente, mais razões para estar optimista", concluiu. 

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