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Protagonismo de Mortágua reacende tensões dentro do PS

A forma como Mariana Mortágua tem assumido o protagonismo no novo imposto sobre o património não agradou aos sectores mais críticos de Costa.

Miguel Baltazar
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O novo imposto que o PS e o Bloco de Esquerda anunciaram para taxar o património imobiliário tem provocado polémica à direita mas também dentro do próprio PS. O protagonismo que Mariana Mortágua tem assumido desde que a medida foi noticiada pelo Negócios não tem agradado a alguns dos deputados, especialmente os da ala mais moderada do partido, que incluem os mais próximos de António José Seguro e os que não concordam com a solução firmada com a esquerda.

O episódio deste fim-de-semana, em que Mariana Mortágua disse que é preciso "perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro", contribuiu para reacender tensões que estavam já adormecidas, segundo foi possível apurar junto de fontes da bancada. Também há críticas à forma como as medidas que vão constar no Orçamento do Estado para 2017 têm vindo a ser anunciadas "às pinguinhas" e, claro está, ao valor de 500 mil euros, considerado muito baixo.

cotacao Não tenho nota de divergências.
O valor ainda não está fechado
e a medida não afecta a classe média.
 joão galamba Deputado e porta-voz do PS
Esta segunda-feira, o deputado Sérgio Sousa Pinto deu nota pública deste desconforto. Crítico assumido do entendimento firmado com Bloco e PCP, o socialista publicou no Facebook um texto em que acusa a deputada do Bloco de Esquerda de pretender colar o PS à extrema-esquerda, como quem diz que "o capitalismo não sobreviverá ao nosso grandioso compromisso histórico".

A publicação recebeu o "gosto" de Jamila Madeira, uma das deputadas da chamada ala segurista. Também a deputada Helena Roseta defendeu, no Público, que os "anúncios isolados e extemporâneos" de medidas como a do património são um "erro crasso".

Uma outra fonte da bancada do PS garantiu ao Negócios que o valor a partir do qual se aplicará o novo imposto não será de 500 mil euros. "O grupo parlamentar não vai aprovar nada abaixo de um milhão de euros", assinala.

Oficialmente, o PS recusa que existam divergências por causa desta medida. "Não tenho nota" de divergências dentro do grupo parlamentar, garantiu João Galamba, deputado e porta-voz do partido. Galamba recorda que "o valor ainda não está fechado" e repete a ideia de que a medida "não afecta a classe média".

Também Carlos Pereira, um dos vice-presidentes da bancada do PS, se diz surpreso. "Não entendo o drama e o alarido numa questão que ainda não está fechada" e que "não vai afectar a classe média".
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