Política PS, PSD e CDS em última ronda negocial sem perspectivas de acordo

PS, PSD e CDS em última ronda negocial sem perspectivas de acordo

Os partidos entram na recta final para a obtenção de um “compromisso de salvação nacional” com a perspectiva de não existir qualquer acordo. O problema da crise política que dura desde 2 de Julho regressa a Belém.
PS, PSD e CDS em última ronda negocial sem perspectivas de acordo
Correio da Manhã

As posições dos partidos da coligação governamental e do PS não se aproximaram após uma semana de negociações, antecipando-se que o desafio de 10 de Julho do Presidente da República acabe com um “não há acordo” por parte dos três partidos do arco da governação.

 

A condição de eleições em 2014 a par da necessidade de acordo para os cortes equivalente a 2,5% acordados com a troika até 2015, com especial relevo para as medidas a adoptar já no Orçamento do próximo ano, não mereceram a convergência de posições dos partidos envolvidos.

 

Uns não querem antecipar eleições para 2014, outros não querem aceitar os cortes na despesa pública acordados com a troika na sétima avaliação regular. E sem a convergência destas posições o entendimento torna-se praticamente inviável. Registe-se que as condições colocadas pelo Presidente na sua comunicação ao país dia 10 de Julho eram cumulativas, isto é, tinham de se verificar todas.

 

As declarações do Presidente da República na quinta-feira, nas ilhas Selvagens, indiciavam já uma perspectiva pouco animadora em relação à existência de um entendimento. “Existem adversários” do compromisso de salvação nacional que “tudo farão para que se não se concretize” o acordo e “não irão olhar a meios” para o impedir, afirmou na quinta-feira o Presidente da República.

 

Pedro Passos Coelho que falou na quinta-feira à noite como líder do PSD na reunião do Conselho Nacional, e que foi aberta à comunicação social, indiciou igualmente que as negociações não de encaminhavam no sentido de um acordo. “Não queremos um compromisso a fazer de conta. Queremos um compromisso que tenha conteúdo para o futuro”, afirmou Pedro Passos Coelho aos seus conselheiros.

 

O líder socialista acaba por apontar no mesmo sentido, de ausência de entendimento, ao afirmar esta sexta-feira que reage “com silêncio” às palavras do primeiro-ministro e líder do PSD na quinta-feira. “Entendo que os líderes partidários devem ser os primeiros a dar o exemplo, o exemplo de responsabilidade, para que nenhuma das suas palavras possa perturbar aquilo que todos nós desejamos: Alcançar um bom compromisso para ajudar os portugueses num momento difícil da vida política nacional", afirmou esta sexta-feira de manhã António José Seguro.

 

O semanário Sol e o Diário Económico apontam nas suas edições em papel desta sexta-feira no sentido da ausência de um acordo entre os três partidos.

 

Os três partidos definiram como prazo para a conclusão das negociações tripartidárias uma semana. A cumprirem este compromisso, a resposta ao desafio feito pelo Presidente da República deverá ser conhecido este fim-de-semana. Desconhece-se como vai ser tornado público e na ausência de um entendimento como vão ser descritas as razões para a falta de acordo.

 

A resolução da crise política regressará então de novo para as mãos do Presidente que na sua intervenção de 10 de Julho afirmou que “sem a existência desse acordo, encontrar-se-ão naturalmente outras soluções no quadro do nosso sistema jurídico-constitucional”.

Nas ilhas selvagens de onde regressou esta sexta-feira de manhã o Presidente disse quinta-feira que colocava de parte um governo de iniciativa presidencial, sendo seu entendimento que a actual Constituição não lhe dá margem para isso.

 

A actual crise política desencadeou-se com o pedido de demissão do líder do CDS Paulo Portas dia 2 de Julho, depois do ministro das Finanças se ter demitido a 1 de Julho e ter sido substituído por Maria Luís Albuquerque. O primeiro-ministro anunciou, numa comunicação ao país nesse dia 2 de Julho, que não aceitava a demissão de Paulo Portas. A primeira proposta de remodelação do Governo – que colocava Paulo Portas fora do Governo - não foi aceite pelo Presidente. Depois da segunda proposta de remodelação, em que Paulo Portas assumiria o cargo de vice-primeiro-ministro, o Presidente fez uma comunicação ao país, dia 10 de Julho,  desafiando os três partidos a chegarem a um “compromisso de salvação nacional”. 

 




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