Política PSD elogia "dignidade" de Miguel Macedo e recusa comparações com outros ministros

PSD elogia "dignidade" de Miguel Macedo e recusa comparações com outros ministros

O PSD considera que Miguel Macedo revelou "imensa dignidade" ao demitir-se de ministro da Administração Interna, por entender que tinha a sua autoridade diminuída, recusando fazer comparações com as situações de outros ministros.
Lusa 16 de novembro de 2014 às 22:27

"É, sublinho, uma atitude que revela uma imensa dignidade da parte do doutor Miguel Macedo", declarou o vice-presidente do PSD e deputado José Matos Correia, em declarações aos jornalistas, na sede nacional deste partido, em Lisboa.

 

Questionado se o PSD considera que há outros ministros que têm a sua autoridade diminuída, Matos Correia acusou a oposição, em especial o PS, de misturar "alhos com bugalhos" e recusou-se a fazer comparações: "A situação do doutor Miguel Macedo foi gerada por um caso concreto, uma circunstância de que todos temos conhecimento. Não tem nenhuma relação com outro tipo de situações que dizem respeito a outros membros do Governo".

 

O social-democrata manifestou "confiança na capacidade do primeiro-ministro" para decidir sobre a composição do executivo PSD/CDS-PP na sequência da demissão de Miguel Macedo. "Sempre que houve necessidade de substituir membros do Governo, o presidente do partido e primeiro-ministro fê-lo com sabedoria e com eficácia", defendeu.

Miguel Macedo anunciou este domingo que pediu a demissão do Governo e que esta foi aceite pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

 

Numa declaração lida no Ministério da Administração Interna, às 19h30, Miguel Macedo considerou que a sua autoridade enquanto governante ficou diminuída com as investigações da Operação Labirinto sobre a atribuição de vistos gold, no âmbito da qual foram detidas pessoas que lhe são próximas.

 

Na reacção do PSD a esta demissão, Matos Correia começou por assinalar que a Procuradoria-Geral da República comunicou "não estar em curso nenhuma investigação visando nenhum membro do Governo nem estar em causa qualquer suspeita sobre membros do Governo".

 

"Ainda assim, o doutor Miguel Macedo entendeu que, tendo em conta a especial responsabilidade que recai sobre um ministro como o da Administração Interna, e a necessidade de manter uma inquestionável autoridade política no exercício dessas funções, não estavam reunidas as necessárias condições para permanecer no seu cargo. É, sublinho, uma atitude que revela uma imensa dignidade da parte do doutor Miguel Macedo", acrescentou.

 

Depois, deixou "uma palavra de merecido elogio" ao trabalho de Miguel Macedo à frente do Ministério da Administração Interna, considerando que actuou com "seriedade", com "capacidade de gerar diálogos" e sempre com "autoridade".

 

O vice-presidente do PSD recusou opinar se o ministro tinha ou não condições para se manter em funções: "Saber se tem ou não condições políticas e autoridade política para exercer a função é antes, do mais, uma análise subjectiva que cabe a cada um".

 

Interrogado sobre as consequências desta demissão para o Governo, retorquiu: "Esta é uma demissão de um ministro que entendeu que não tem condições políticas para se manter em funções. Não vejo quaisquer outras consequências para além dessas".

 

Quanto à situação de outros ministros, Matos Correia alegou que "as forças da oposição, misturando alhos com bugalhos, aproveitaram esta oportunidade, como ainda acabou de o fazer o PS, para lançar cortinas de fumo e tentar criar confusão onde ela não existe".

 

Segundo o vice-presidente do PSD, as situações de "outros membros do Governo, relativamente aos quais há discordância do PS e de outras forças política quanto à forma como têm atuado e quanto às políticas que têm implementado" e o caso de Miguel Macedo "são coisas que não são misturáveis, que não são confundíveis e é lamentável que tentem fazer essa confusão nesta altura".




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