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PSD usa “swaps” propostos a Governo de Sócrates para atacar Seguro

A guerra política estalou. O caso dos “swaps” tem servido de troca de acusações entre elementos ligados ao anterior Governo e os do actual Executivo. Luís Montenegro pede uma posição a Seguro, que trabalha com um dos assessores de Sócrates que ponderou o recurso a “swaps” que permitiam a maquilhagem do défice. O PS diz que é Passos Coelho que deve justificações.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 09 de Agosto de 2013 às 13:31
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O caso dos “swaps” propostos pelo Citigroup e Barclays ao gabinete de José Sócrates em 2005 tornou-se numa arma política. O Partido Social Democrata fez esta sexta-feira uma declaração em que pediu ao actual secretário-geral do Partido Socialista uma posição sobre os contratos que permitiam reduzir artificialmente o défice.

 

“O PS e o seu secretário-geral concordam com a posição política assumida por governantes e assessores do anterior governo, no sentido de recorrer a estes contratos para mascarar as contas públicas”, questionou o líder parlamentar social-democrata, Luís Montenegro, numa declaração aos jornalistas sem direito a perguntas.

 

A pergunta de Montenegro é feita um dia depois de o Governo de Passos Coelho ter veiculado à comunicação social documentação que prova que o gabinete do primeiro-ministro em 2005, José Sócrates, ponderou a utilização de produtos financeiros que teriam impacto no défice, melhorando as contas públicas nesse ano.

 

Óscar Gaspar e Vítor Escária eram os assessores económicos de Sócrates que consideraram, em 2005, que se poderiam utilizar os produtos financeiros sugeridos pelo Citigroup e Barclays ao Governo de então – apesar de ser expectável que tenham existido mais propostas – “em caso de dificuldades no final do ano”.

 

“Para o Partido Socialista estas operações poderiam ser a solução milagrosa ou a poção mágica para atingir os 3% de défice público”, atacou Luís Montenegro, referindo-se ao limite imposto pelos acordos com a Comissão Europeia.

 

Gaspar é, actualmente, assessor económico de António José Seguro e é por isso que o líder social-democrata questiona o secretário-geral do PS sobre se “é cúmplice e conivente com as posições assumidas pelo seu principal conselheiro económico hoje, à época assessor de José Sócrates?”

 

PS diz que Passos Coelho é que deve explicações

 

O Partido Socialista, cerca de uma hora depois da declaração de Montenegro, reagiu através de um comunicado. “O PSD através do seu líder parlamentar protagonizou um lamentável momento de política rasteira e destituída de qualquer dignidade pessoal ou política. Foi uma tentativa vil e soez de envolvimento do secretário-geral do PS no processo dos ‘swaps’ apesar de ser público e notório que nada o liga ao processo”, indica uma nota do gabinete de imprensa do PS.

 

O PS defende Óscar Gaspar e diz que foram prestadas, pelo próprio, os esclarecimentos relativamente a esta matéria através de uma nota. Aí, Gaspar, juntamente com Escária, garantiam não ter feito “nenhum tipo de recomendação” sobre os “swaps”, tendo apenas remetido as propostas para as Finanças. Depois, com o chumbo do IGCP, os produtos financeiros não chegaram a ser subscritos. Gaspar e Escária dizem mesmo que as “ideias nunca fora sequer levadas” a José Sócrates.


Os socialistas garantem que não é Seguro quem deve explicações sobre o caso. “Quem deve esclarecimentos ao país é o primeiro-ministro. O primeiro-ministro deve esclarecer os portugueses se mantém ou não mantém a confiança política na sua equipa das Finanças”, assinala o comunicado do PS, repetindo uma questão que tem sido colocada nos últimos dias, desde que estalou o escândalo em torno do até aqui secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, que terá sido um dos proponentes dos produtos do Citigroup.  

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