Política Rio demite-se se PSD tiver mau resultado mas não diz se fica como deputado

Rio demite-se se PSD tiver mau resultado mas não diz se fica como deputado

O presidente social-democrata reiterou em entrevista à Antena 1 que sai da liderança do PSD se o partido tiver um resultado "muito mau" nas legislativas. Mas apesar de garantir que tomará posse como deputado caso não tenha condições de formar Governo, não desvenda se cumpre o mandato.
Rio demite-se se PSD tiver mau resultado mas não diz se fica como deputado
José Coelho / Lusa
David Santiago 12 de setembro de 2019 às 13:43

Uma certeza e uma dúvida, é este o balanço que fica da entrevista de Rui Rio à Antena 1 relativamente ao futuro do líder social-democrata depois das legislativas de 6 de outubro caso o PSD não consiga formar Governo e, ou, obtenha um mau resultado.

Questionado pela jornalista Natália Carvalho sobre se a liderança do PSD está em jogo nas eleições do próximo mês, Rui Rio admite sem reservas que sim.

"Claro, isso joga-se sempre. Se o PSD tivesse um resultado baixíssimo, o que é que uma pessoa fica lá a fazer. Em cada resultado eleitoral, seja qual for, joga-se sempre o futuro de qualquer líder partidário, em qualquer parte do mundo."

No entanto, desafiado a definir um patamar abaixo do qual considerará não ter condições para continuar a liderar os destinos dos sociais-democratas, Rio rejeita estipular uma fasquia: "Sinceramente não pensei nisso, claro que há de haver uma fasquia abaixo da qual é muito mau, e acima da qual é muito bom".

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Ainda assim, certo é que, para Rio, um resultado de 20% nas legislativas seria "obviamente muito mau". Ou seja, e tendo em conta as palavras do líder social-democrata, se o PSD tiver 20% ou menos nas legislativas Rui Rio deverá sair da liderança pelo próprio pé.

Mas seja como for, Rui Rio desconfia dos números que vêm sendo divulgados pelas sondagens, "umas mais encomendadas, outras menos", que referem que "tudo vai desaparecer". "Quero-os ouvir no dia seguinte às eleições", desafia.

Também sem resposta ficou a pergunta sobre se o líder "laranja", num cenário em que não seja ele a tomar posse como primeiro-ministro, cumprirá o mandato de quatro anos no Parlamento.

"Vou tomar posse como deputado, o cumprimento do mandato de deputado depois vejo", disse reconhecendo que "se fosse para ser só deputado não estava nas listas de certeza".

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"Sou sincero, o que me move é ser primeiro-ministro, não é ser deputado. Se é isso que eu digo aos amigos e à família é isso que eu digo às pessoas", explicou.

Rio não afasta coligação à direita

Confrontado perante um cenário hipotético em que os partidos à direita (PSD, CDS e uma ou mais das forças emergentes neste quadrante) conseguissem a maioria absoluta dos mandatos no Parlamento, Rui Rio admite fazer uma coligação.

Porém, sustenta que essa hipótese dependeria "do que defendem" esses partidos e da possibilidade de a mesma ter "sentido estratégico" e ter "subjacente estratégia de desenvolvimento do país".

"Com o CDS será fácil por diversas razões, de cultura política, de história", defendeu notando que para acrescentar outras forças à direita a um entendimento teria de "pensar duas vezes".

O presidente do PSD voltou ainda a defender a importância de acordos de regime como única forma de "fazer reformas de fundo", o que pressupõe a participação de PS e PSD, embora não excluindo os outros partidos. "Não olho para a política e para o sistema partidário como se olha para os clubes de futebol", atirou no que pode ser também uma reação às declarações em que o primeiro-ministro, António Costa, rejeitava acordos com o PSD para reformas em áreas como a Justiça ou o sistema eleitoral.

Numa altura em que o PSD surge mais pacificado ante o aproximar das eleições, Rio assegura ter consigo "os militantes do partido e o grosso da estruturas", contudo assume que seria "hipócrita" se dissesse que ninguém lhe está a "tentar fazer a cama".

Rui Rio nega defesa do TGV no programa eleitoral
O líder da oposição abordou ainda uma das polémicas que marcaram os últimos dias, designadamente a alegada proposta inscrita no programa de Governo do PSD sobre alta velocidade que foi interpretada por muitos, entre os quais António Costa, como a defesa da recuperação do projeto do TGV. 

Rio esclareceu que o programa social-democrata não defende o TGV mas a aposta numa "linha uniforme de alta velocidade" capaz de diminuir a distância e o tempo de viagem entre Lisboa e Porto.




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