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Rio não quer "despejar dinheiro" na TAP, Costa garante que só com mais controlo

O presidente do PSD mostrou-se muito crítico em relação à TAP, que "demonstrou não ter capacidade de gestão", e considera que o Estado não deve pôr dinheiro na companhia áerea sem conhecer o "plano de negócios". António Costa considera que dada a elevada incerteza" não é a altura de se definirem as opções estratégicas da empresa.

António Cotrim
David Santiago dsantiago@negocios.pt 07 de Maio de 2020 às 16:35
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Rui Rio jogou todas as fichas da bancada do PSD no debate quinzenal na questão da TAP, com o presidente social-democrata a mostrar-se muito crítico da administração da companhia aérea e cético dos planos que o Governo poderá ter para a empresa.

O líder do PSD discorreu sobre os números negativos que a TAP apresenta há já vários anos para notar que em 2019 o "passivo mais do que duplicou" para 5 mil milhões de euros e concluir que a empresa está hoje "tecnicamente falida".

"A TAP demonstrou que não tem capacidade de gestão", disse um Rui Rio incapaz de perceber o modelo de gestão adotado com a reentrada do Estado no capital da operadora.

"Houve um negócio mau para o Estado. O Governo não quis manter a privatização, pôs-se lá com 50% [do capital] mas não conta para a gestão da TAP", criticou.

De seguida, Rio admitiu como explicação a consideração pelo Governo de que a TAP presta um "serviço público", o que o levou a deixar três perguntas a António Costa: se concorda que a TAP abra novas rotas, sendo 71 a partir de Lisboa, três do Porto e nenhuma de Faro, servindo assim "uma pequena parte do país"; se confirma que no processo de lay-off da empresa a TAP complementa os salários acima de 1.900 euros, cobrindo assim parte dos salários às "pessoas que menos precisam"; e se no passivo de 5 mil milhões da empresa há alguma parte "avalizada pelo Estado".

Antes de responder, o primeiro-ministro disse crer que nos últimos 45 anos a TAP só não teve prejuízos em dois. Depois disse não ter informação sobre as rotas abertas, mas admitiu considerar que "há uma subutilização pela TAP de um ativo muito importante para o país que é o aeroporto Francisco Sá Carneiro [no Porto]".

Quanto ao complemento respondeu não achar estranho, até porque há outras empresas a fazer o mesmo e porque o Estado não "suporta ou comparticipa esse diferencial". À terceira questão, Costa disse que a exposição pública na TAP "baixou de 900 milhões de euros para 200 milhões nestes últimos cinco anos".

Ouvidas as respostas, Rio contra-atacou avisando que o Estado não pode injetar dinheiro na operadora sem conhecer um "plano de negócios que nos dê segurança", caso contrário seria apenas estar a "despejar para lá dinheiro".

O presidente "laranja" quis ainda saber qual dos três modelos o Governo vai privilegiar para apoiar a empresa: Um aumento de capital privado em que o público acompanha; o privado fazer o aumento de capital sozinho, "na nossa ótica seria o ideal"; apenas o Estado reforçar o capital da empresa.

O secretário-geral do PS admitiu que qualquer que seja o modelo de gestão a adotar, esse terá de assentar num plano de negócio, contudo defendeu que este não é o momento indicado para redefinir a estratégia da TAP devido ao elevado grau de "incerteza" que a pandemia implica, sobretudo para o setor da aviação.

E reiterando não considerar que o Estado deve estar na gestão do dia a dia da TAP, António Costa insistiu nas garantias já dadas pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. "Se se alterar a posição relativa entre Estado e privados, a relação de poderes tem de se alterar correspondentemente", garantiu.

"O Estado não meterá [dinheiro] nem sob a forma de garantias, nem injeção de capital, nem empréstimo ou qualquer outra forma nenhum cêntimo na TAP sem que isso signifique mais controlo e uma relação de poderes adequada a esse apoio que vier a conceder", detalhou.

Quanto à capitalização futura, Costa sabe que "seguramente a empresa precisa de capital", mas "haja o que houver a TAP continuará a voar com as cores nacionais".

(Notícia atualização)
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