Política Rui Rio acusa Governo de "não entender economia" e de querer "fechar o país"

Rui Rio acusa Governo de "não entender economia" e de querer "fechar o país"

O presidente da Câmara do Porto culpou hoje o Governo pelo chumbo das contas da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), acusando-o de não entender "como funciona a economia" e questionando se "a ideia é fechar o país".
Rui Rio acusa Governo de "não entender economia" e de querer "fechar o país"
Lusa 18 de abril de 2013 às 19:01

"Se o Governo entende que a reabilitação urbana do Porto está a correr mal, é dramático para o país. É difícil encontrar um projecto de investimento público com um efeito multiplicador desta natureza ao nível do investimento privado ou da criação de emprego. Se assim for, não sei se a ideia é fechar o país", observou Rui Rio.

 

Para o autarca, "quando o Governo de Portugal entende que dar um milhão de euros por ano para apoio à reabilitação urbana da segunda cidade do país, que desde que existe já arrastou mais de 15 milhões de euros, o que podemos dizer é que não entendem como funciona a economia".

 

"Já chega a ser ofensivo para o Porto dizer que isto [o valor de 1 milhão de euros] é demais", vincou o autarca aos jornalistas no fim da assembleia-geral da SRU -- Porto Vivo em que o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), accionista maioritário (60%) e representante do Estado na empresa, chumbou as contas de 2012 para evitar a sua "insolvência".

 

A assembleia-geral da Porto Vivo -- SRU esteve rodeada de polémica porque o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) avisou que "já não" pretende pagar a dívida de 2,4 milhões de euros à empresa, que não tem presidente desde Dezembro, nem aprovar as contas de 2012.

Os dois aspectos são essenciais para a viabilidade da empresa de capitais públicos, detida em 60% pelo Estado (IHRU) e em 40% pela Câmara do Porto, e colocam em equação a possibilidade da sua extinção.

 

A verba de 2,4 milhões de euros diz respeito à reposição do prejuízo da empresa em 2010 e 2011, que há um ano o IHRU prometeu pagar.

 

Quanto às contas, o IHRU rejeita aprová-las porque isso implicaria transferir 5,4 milhões de euros a fundo perdido para a SRU, devido a um prejuízo de 9,2 milhões de euros que a Câmara diz esconderem "lucros futuros".

 

A Porto Vivo aguarda há um ano a nomeação dos novos corpos sociais e tem o capital reduzido a menos de metade, o que coloca problemas legais já que o Código das Sociedades Comerciais prevê que, quando tal acontece, os accionistas devem repor os capitais ou extinguir a sociedade.

 

Numa entrevista publicada hoje no jornal Público, o presidente do IHRU Vítor Reis revelou que a SRU está "condenada à falência", que "a situação é muito grave" porque "não há dinheiro" e que, se não se salvar a Porto Vivo, "que se salve a reabilitação na baixa do Porto".

 

Vítor Reis disse em Janeiro na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local que não faltaria dinheiro para a Porto Vivo trabalhar e que caberia ao Ministério das Finanças desbloquear as verbas.

 

A administração da SRU está em funções desde o fim de Março de 2011, porque a eleição dos novos corpos sociais e a alteração dos estatutos da empresa foi adiada pelos accionistas.




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