Política Sampaio da Nóvoa: "Neste tempo tão duro ninguém tem o direito de se omitir, de ficar em silêncio"

Sampaio da Nóvoa: "Neste tempo tão duro ninguém tem o direito de se omitir, de ficar em silêncio"

O ex-reitor da Universidade de Lisboa, apontado como possível candidato presidencial do PS, interveio no congresso para pedir uma alternativa política inclusiva que preserve o Estado Social. E um novo rumo na Europa que não beneficie a Alemanha.
Sampaio da Nóvoa: "Neste tempo tão duro ninguém tem o direito de se omitir, de ficar em silêncio"
Miguel Baltazar/Negócios

António Sampaio da Nóvoa era uma das personalidades mais aguardadas no congresso do PS. E fez questão de dizer que podem contar com ele. "Venho dizer-vos presente. Neste tempo tão duro ninguém tem o direito de se omitir, de ficar em silêncio", sublinhou. "Temos de estar presentes, é o nosso dever, é nossa obrigação. Quem sente não consente, quem sente não se resigna perante as desigualdades, perante a pobreza, as políticas que nos tornam cada vez mais dependentes".

 

Para o ex-reitor, "é tempo de abrir um tempo novo para Portugal e os portugueses". "Esta liberdade não se conforma com o estado de emergência que hoje vivemos, que torna permanente uma dívida que hoje tem de ser negociada, uma política errada de austeridade, que atinge os fundamentos da democracia ao tornar os povos reféns de interesses inomináveis: não, não e não", respondeu.

 

"Precisamos de ideias para uma vida nova, de ver com olhos livres, com criatividade, imaginação, em vez de reduzir o mundo ao capitalismo hiper-liberal, ao financismo de um casino sem regras", criticou. Em

Temos de estar presentes, é o nosso dever, é nossa obrigação. Quem sente não consente, quem sente não se resigna perante as desigualdades, perante a pobreza, as políticas que nos tornam cada vez mais dependentes.
 
António Sampaio da Nóvoa

contraste, o que é necessário é "um Estado social sólido, que este Governo tem posto em causa ano apos ano".

 

A aposta tem de passar por uma "fortíssima consciência social e investimento persistente e continuado no conhecimento". Por uma "consciência social com conhecimento dentro, porque é na qualificação, na criação científica e na capacidade de transpor conhecimento para a economia e sociedade que está o nosso futuro".

 

É preciso reagrupar todas as forças de mudança

 

Sampaio da Nóvoa pediu para dar mais voz aos cidadãos. "Precisamos de reagrupar todas as forças de mudança, há política nas instituições e nas ruas, nas vozes de todas as pessoas", pediu. "Precisamos de inventar uma democracia democrática, que consagre o poder de intervenção e decisão além do voto de quatro em quatro anos. Uma política que pensa nas pessoas tem de ser feita pelas pessoas, é isto que nos pede a democracia do século XXI", resumiu.

 

O ex-reitor disse ainda não aceitar que a Europa continue como está. "Sou europeu em tudo mas não aceito esta Europa organizada sempre em favor dos mesmos. Uma Europa do trabalho qualificado no Norte e da mão-de-obra barata no Sul, desenhada para favorecer a Alemanha e perpetuar a dependência. Assim não, não e não", atirou.

 

"Sou europeu em tudo mas recuso-me a aceitar que a Europa possa ser a nossa ruína, uma Europa que parece ter mais passado do que futuro, sem ideias, sem vigor. É tempo de mudar a Europa e esse é também o nosso combate", pediu. "Neste mundo cada vez menos eurocêntrico, Portugal tem de usar a sua posição europeia para se abrir ao mundo", analisou.

 

Para Sampaio da Nóvoa, a "mudança terá de ser radical, as nossas raízes estão em Abril". "A ousadia já é metade da vitória. Em cada gesto temos de honrar os esforços dos portugueses", sugeriu. António Costa "tem consigo ideias e causas que permitem abrir um tempo novo em Portugal, que não seja sempre de regresso ao mesmo tempo de sempre, com coragem, sem medo, porque o futuro depende de nós, de cada um de nós, da nossa capacidade, entusiasmo, entrega, sem vender nenhuma ilusão".

 

"Não quero ver a minha pátria parada à beira de um rio triste. Não quero perder Portugal nem por silêncio nem renúncia. Este é o nosso tempo, é o tempo de mudar Portugal", concluiu, sendo aplaudido de pé pelos congressistas.




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