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Santana Lopes: Presidente da República deixou os três partidos “entre a espada e a parede”

Cavaco Silva parece ter dito que “se os três partidos não chegarem a acordo, os portugueses ficam a saber que raça de governantes ou candidatos a governantes têm”, comentou Pedro Santana Lopes.

Jorge Paula/Correio da Manhã
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 10 de Julho de 2013 às 21:46
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“O Presidente da República não se quer expor”, comentou Pedro Santana Lopes, na CMTV, em reacção à declaração de Cavaco Silva, salientando que o PR “tentou agradar a todos, menos aos que querem eleições já”. “Fez uma declaração insólita”...

 

Cavaco Silva “pisca o olho ao PS… tem razões para o fazer…”, declarou o comentador. “Mas temos que regressar aos mercados e a dúvida que fica é: será que o PSD e o CDS conseguem fazer isto sozinhos? O Presidente da República tem dúvidas, por isso diz que este Governo se mantém, mas que… preparem-se… e pede acordo entre os três partidos”, referiu Santana Lopes.

 

Mas “e se os partidos não chegarem a acordo? Continua o mesmo Governo? É o que o PR nos faz crer”, acrescenta, dizendo que Cavaco nem precisa de dissolver o Executivo, já que alude a que tem de haver novo Governo. “Quase que acena com um novo, hipotético, primeiro-ministro. Parece não acreditar que, sozinho, o Governo tenha êxito até ao fim da actual legislatura”.

 

“Pelo que percebi, o PR pretende um acordo para 2014-2018 entre os três partidos. Mas se não chegarem a acordo, aí os portugueses ficam a saber que governantes têm ou que candidatos têm… É o que parece que diz”. “Que raça de governantes ou de candidatos a governantes têm? É o que parece que [ele] diz. E os três partidos ficam entre a espada e a parede…”, acrescentou.

 

Na opinião de Santana Lopes, que diz estar “muito curioso para ouvir o PS”, só deveria haver uma de três coisas a decidir: “ou se diz que se tem de ir para eleições; ou ‘vou fazer um governo de iniciativa presidencial’; ou ‘não há eleições, o Governo está em funções e precisa de toda a força para levar tudo isto a bom porto’”.

 

“O Governo deve ficar um bocado estupefacto ao ouvir isto”, afirmou o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa e militante do PSD.

 

Governo vai cortar 4,7 mil milhões sabendo que vai haver eleições?

 

“Sabendo-se já que pode haver eleições em Junho de 2014, o eleitoralismo não vigorará? Os partidos do Governo irão cortar 4,7 mil milhões de euros sabendo que vai haver eleições? Há o risco de o País ficar em suspenso. É a sensação que dá. Acho muito complicado um primeiro-ministro ouvir uma posição destas. Vai ficar a pensar: ‘vou pôr-me aqui com medidas duras e Seguro do lado de fora a dizer que não?’”.

 

Santana Lopes considera que Cavaco Silva deveria ter dito isto em 2009 a José Sócrates: “deveria ter dito ‘você não faz Governo minoritário nenhum, faz um de salvação nacional’”.

 

O advogado crê que se o PR tivesse dito “não quero mais, quero um governo com os três partidos”, o país não se zangaria. “Acho que 90% do país compreenderia se ele dissesse ‘a hora é de emergência, vamos trabalhar em conjunto’”.

 

Sobre como a Europa e os credores irão ver esta declaração de Cavaco Silva, Pedro Santana Lopes diz não saber: “Acho que os outros países europeus há vários anos que ficam completamente baralhados com o nosso sistema de governo. Agora vir um chefe de Estado dizer que quer outra solução até 2014, na prática não é o mesmo que ter um governo de gestão até lá? [Cavaco] diz que o actual Governo vai ter plenos poderes para governar… mas o PR acredita que este Governo pode pôr em prática as medidas que são indispensáveis ao país?”

 

Santana Lopes acha a solução “confusa” e que “isto, em vez de resolver, pode trazer um sarilho ao país”. Um primeiro-ministro ao ouvir isto pode pensar: “então mas como é? Mas então governo como?”. “O primeiro-ministro tem demonstrado ter muito sangue frio e ser bastante sereno, mas isto não é nada fácil”.

 

No fundo, salienta o comentador político da CMTV, Cavaco Silva com esta solução “encurta a legislatura” e apresenta duas pistas: o Governo numa pista e os três partidos a fazerem acordos para quatro anos numa outra pista. “E não acredito que isto seja possível”, acrescenta.

 

“Se tiver percebido mal, demito-me também. Mas não é irrevogável”, gracejou Pedro Santana Lopes.

 

O comentador chamou também a atenção para o facto de um possível acordo entre os três partidos ter de ser um acordo “em que a troika esteja de acordo também”. Sobre ser um acordo para delinear após a saída da troika [Junho de 2014], Santana Lopes destaca que, apesar da saída dos credores internacionais, “vamos continuar com alguma assistência”. “Já não é respiração boca-a-boca, mas vão continuar a trazer oxigénio”, por isso o acordo “não pode ir contra as orientações da troika”.

 

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