Política Se fosse um dos 130 mil eleitores do Porto, Menezes teria votado em Rui Moreira

Se fosse um dos 130 mil eleitores do Porto, Menezes teria votado em Rui Moreira

Ex-presidente da câmara de Gaia e candidato derrotado à câmara do Porto disse que a luta pela Invicta foi desigual e favoreceu Rui Moreira. Lançou críticas a Paulo Rangel, mas admitiu que ele é o melhor candidato para as eleições europeias.
Se fosse um dos 130 mil eleitores do Porto, Menezes teria votado em Rui Moreira
Bruno Simões 22 de fevereiro de 2014 às 20:36

Luís Filipe Menezes compareceu no Congresso do PSD, que está a decorrer este fim-de-semana no Coliseu do Recreios, em Lisboa, apesar de ter deixado a sua presença em dúvida até hoje.

 

Aproveitou para dizer que apoia a liderança de Pedro Passos Coelho, e também para explicar a sua derrota na luta pela Câmara do Porto. Uma das razões foi o facto de ter sido um “combate muito envenenado por uma rábula político-jurídico-constitucional à volta da interpretação da lei de mandatos”.

 

“Lastimo que essa novela tivesse sido alimentada por alguns, poucos, militantes do partido”, criticou. Menezes estava a dirigir-se a Paulo Rangel, um dos poucos social-democratas que defendeu publicamente que a lei de limitação de mandatos impedia a candidatura de presidentes de câmara com três ou mais mandatos a outro município.

 

Por outro lado, justificou Menezes, o CDS não esteve a seu lado. Além disso, “o presidente da câmara [Rui Rio], os seus vereadores” não tinham “simpatia pela minha candidatura e apoiavam uma outra”. A somar a isso, o Governo “estava no momento mais difícil da sua afirmação”, e as semanas que antecederam as autárquicas “terão sido as mais penosas, em que se falava de um novo resgate”.

 

Mas não foi só isso: o Porto é “uma cidade muito particular, o que pesa é o eleitorado maioritário de uma classe média muito conservadora”, que “faz a sua opinião lendo dois ou três jornais de referência”. A falta de uma “comunicação social proactiva a Norte” fez com que a imagem de Menezes passasse de forma deficiente.

 

“De um lado estava o candidato do PSD, político, partidário, do outro um independente”, resumiu. “De um lado estava um candidato que fez grande obra em Gaia, fruto de um conjunto de mentiras vendidas para o exterior de excessos orçamentais, numa altura em que se lutava contra esses excessos”, ilustrou Menezes. “De um lado estava alguém mais populista, outro alguém mais austero”.

 

Com todas estas dificuldades, “eu se fosse um desses 130 mil eleitores não teria votado Luís Filipe Menezes, teria votado no outro candidato”, Rui Moreira, que acabou por vencer as eleições com o apoio do CDS. Menezes lançou um aviso a Passos Coelho: “tem de compreender que o que é verdade não é o que é de facto verdade mas o que chega à opinião pública” como sendo verdade.

 

“Temos de ser mais eficientes a passar a nossa mensagem, temos de ser mais claros”, aconselhou.

 

Rangel é o melhor candidato

 

Apesar de Paulo Rangel se ter oposto à candidatura de Menezes, o ex-candidato não lhe guarda rancores. “Eu se fosse presidente do partido escolheria um candidato: escolheria o doutor Paulo Rangel. Por vários motivos: porque não me movimento por estados de alma, porque acima do interesse pessoal ou de qualquer revanche que pudesse prevalecer, no meu espírito está o interesse do partido e do País”, sustentou.

 

Rangel “tem boa imagem na opinião publica e publicada, já ganhou uma eleição, é particularmente benquisto na classe média”. Por isso, “julgo que seria das melhores, ou mesmo a melhor opção para o PSD neste combate que se adivinha difícil” nas eleições europeias.

 

Pedro Passos Coelho haveria de confirmar, uma hora depois, que Rangel é mesmo o cabeça de lista da lista PSD/CDS às eleições europeias. Nuno Melo deverá ser o número dois.

 

Menezes não expulsava ninguém do PSD

 

O ex-presidente da câmara de Gaia também disse discordar da expulsão de militantes como António Capucho. “Atrevo-me a dizer que, se fosse pedida a minha decisão, eu não teria expulsado nenhum militante”, uma declaração que foi recebida com muitos aplausos pelos militantes.




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