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Seguro acusa Costa de ter defendido a abstenção do PS no OE 2012

Tem sido uma das maiorias críticas que Costa dirige a Seguro: o facto de este ter instruído os deputados a absterem-se na votação do Orçamento do Estado de 2012, o primeiro do actual Governo. Afinal, diz Seguro, Costa também o defendeu na altura.

Paulo Duarte/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 09 de Setembro de 2014 às 22:18
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António Costa tem acusado Seguro de ter adoptado, desde o início do actual Governo, uma atitude permissiva face às medidas de austeridade que têm sido aplicadas. "O PS foi somando sinais equívocos: absteve-se nas propostas para a subida do salário mínimo" e "persiste numa leitura do Tratado Orçamental que já não é sequer acompanhada" pelo presidente da Comissão Europeia, acusou Costa.

 

"O Orçamento do Estado para 2012 foi aquele em que o Governo vem assumir que quer ir para além da troika. Percebo bem que a última coisa que o PS podia fazer era demarcar-se de um memorando que tinha assinado", concede Costa. Porém, "quando o OE se apresenta para além da troika, e introduz cortes no vencimento, o PS não se devia ter abstido", critica.

 

"Ter votado contra o OE 2012 teria sido irresponsabilidade e um regresso ao passado", contrapôs Seguro, que foi recuperar uma intervenção de Costa na Quadratura do Círculo, programa da SIC Notícias em que o autarca de Lisboa é comentador (função que suspendeu temporariamente). "O mais grave são os ziguezagues que tu fazes, porque nessa altura defendeste na Quadratura do Círculo que devíamos ter-nos abstido", acusou.

 

De acordo com a citação lida por Seguro, Costa terá dito então que "o PS deve demarcar-se na especialidade das propostas com que não concorda". "A minha posição é que para haver soluções de governabilidade" é necessário haver abstenção em questões "fundamentais de governação", terá dito Costa. Em resumo, "não só defendeste que o PS se devia abster no OE 2012 como entendeste que essa regra era fundamental", acusou Seguro.

 

"Não tapes o sol com a peneira"

 

Costa respondeu sublinhando que na Comissão Política do partido defendeu o voto contra. "Devias ter percebido que aquele orçamento não era um orçamento que espelhasse o memorando. Ele demarcava-se e ia para além do memorando", criticou o autarca de Lisboa. "O que defendi não era um acordo para o orçamento, era um acordo duradouro", justificou Costa.

 

Aí, Seguro confrontou directamente Costa. "Não tapes o sol com a peneira", pediu, acrescentando: "nem usaste da palavra na comissão política". "Uma das coisas que os portugueses rejeitam são os políticos que dizem uma coisa em público e outra em privado para contentar dois públicos. E não foi só aqui", afiançou Seguro.

 

O primeiro debate das primárias do PS mostrou que, frente a frente, António Costa e António José Seguro usaram a segunda pessoa do singular para se dirigirem um ao outro – o que não surpreende, tendo em conta que se conhecem há vários anos, mas que é algo raro noutros debates políticos.

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