Política Sérgio Sousa Pinto garante que esquerda quer "um Governo fraco do PS" para o derrubar

Sérgio Sousa Pinto garante que esquerda quer "um Governo fraco do PS" para o derrubar

O deputado socialista rejeita as acusações de anticomunismo e garante que BE e CDU "querem um Governo fraco do PS, para derrubarem quando for oportuno". O resultado, diz, seria a direita conseguir "a sua maioria absoluta".
Sérgio Sousa Pinto garante que esquerda quer "um Governo fraco do PS" para o derrubar
David Santiago 14 de outubro de 2015 às 16:29

Não tardou a resposta do socialista Sérgio Sousa Pinto às acusações que contra si têm sido feitas. O deputado mantém as críticas à aproximação do PS relativamente à CDU e BE, facto que levou Sousa Pinto a apresentar, na semana passada, a sua demissão do secretariado nacional do partido, e garante que aquelas forças da esquerda parlamentar não "querem ir para o Governo". Apenas "querem um Governo fraco do PS, para derrubarem quando for oportuno".

 

Numa declaração publicada na sua página pessoal da rede social Facebook, o antigo líder da JS começa por lamentar que quem, como ele próprio, "não concorde que o PS patrocine um governo de frente de esquerda, pelas mais variadas razões, expõe-se a acusações torpes ou de anticomunismo primário".

 

No seguimento desta constatação, Sousa Pinto elenca de seguida um conjunto de "factos" que no seu entender servem para refutar as críticas ao seu alegado "anticomunismo". O também ex-eurodeputado lembra a luta, desde 1974, feita pelo PCP contra o PS, tendo "censurado e derrubado governos socialistas", não tendo votado "a favor de um único orçamento apresentado pelo PS".

 

Sérgio Sousa Pinto considera mesmo que os comunistas não precisam que "o PS seja Governo para liderar a oposição ao PS" e garante que o PCP apenas iniciou uma trajectória de aproximação face aos socialistas porque "o Bloco ultrapassou-o em votos e mandatos".

 

"Habituado a uma existência cómoda consumida a vergastar o seu adversário oficial - o PS, o PCP tinha agora que improvisar para sobreviver", critica. Os bloquistas também não escaparam às críticas deste socialista cuja carreira política tem sido pautada por posições, não raras vezes, contrárias à da direcção socialista.

 

Para Sousa Pinto, Catarina Martins, "em modo De Gaulle", demonstrou a disponibilidade do BE para "viabilizar um Governo de esquerda, com o PS", somente porque, "entalado" e "muito contrariado" pela posição inédita assumida pelo PCP, o Bloco teve de "estudar compromissos possíveis com o PS".

 

O PSD e o CDS também não passaram imunes à pena de Sérgio Sousa Pinto. "A direita, desorientada como uma galinha decapitada, lembra-nos que os comunistas comem criancinhas", critica o deputado que afiança: "Não comem".

 

No entanto, no caso de a aparente estratégia de António Costa de protagonizar um Governo socialista, apoiado pelo BE e pela CDU, vingar, Sérgio Sousa Pinto antecipa um cenário negro para o PS. A conclusão de Sousa Pinto é a de que se os "mesquinhos objectivos tácticos" das forças de esquerda forem obtidos, então o resultado será a direita conseguir alcançar "a sua maioria absoluta. Que guardará por muitos anos".




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