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Silva Pereira: “País descobriu que o Governo passou a ter dois ministros da Presidência”

Ex-ministro socialista lançou um duro ataque a Cavaco Silva, que acusou de fazer parte do Governo. A espiral recessiva é filha da política neoliberal de direita, acusou ainda.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 27 de Abril de 2013 às 21:43
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Pedro Silva Pereira acusou Cavaco Silva de partilhar o cargo com Luís Marques Guedes, o ministro da Presidência. “No 25 de Abril, o País descobriu que já não tem Presidente da República e que o Governo passou a ter dois ministros da presidência, porque quem mora agora no Palácio de Belém é o novo porta-voz do Governo”, denunciou Silva Pereira.

 

“É hoje mais claro que nunca que este é um Governo de iniciativa presidencial”, afirmou, recuperando uma ideia lançada por José Sócrates. “Foi este Presidente da Republica que há dois anos atrás ignorou as circunstâncias da crise internacional, explorou politicamente os sacríficos dos portugueses e instigou uma crise para derrubar o governo socialista”, acusou.

 

No entender do ex-ministro, curiosamente, da Presidência, Cavaco Silva tem muitas culpas na actual situação. “Foi este o Presidente que há dois anos se demitiu das suas responsabilidades, e nesse momento decisivo, optou por cruzar os braços e favorecer a sua família política”, lembrou.

 

Além disso, foi também Cavaco Silva que “agora aceitou passar o certificado de confiança política neste Governo de direita, e ao mesmo tempo que fazia apelos ao consenso, tinha intervenção em que aquilo que fez verdadeiramente foi tomar partido em favor do seu partido”. Dessa forma, desqualificou-se como presidente de todos os portugueses”.

 

Silva Pereira destacou que “este Governo não se limitou a cumprir o memorando”, mas foi “muito além da troika, executou o dobro das medidas de austeridade que estavam previstas no memorando inicial”, e “é por isso que é responsável por uma espiral recessiva que lançou a tragédia na nossa economia e colocou portugueses aos milhares no desemprego”, sustentou.

 

“A espiral recessiva é filha de uma orientação política que acredita na austeridade com fundamentação de pensamento científico, mas que é filha da ideologia neoliberal”, afirmou.

 

Este consenso não serve ao PS

 

O ex-ministro falou na carta que o PS recebeu do Governo a apelar ao consenso. Silva Pereira aprovou as reuniões. “Mas que consenso é que serve o Pais? A ideia que parecem ter é que é possível que o consenso seja estabelecido desta forma: o Governo e a troika entendem-se unilateralmente, e depois à ultima hora notificam o PS apara apoiar essas medidas”, observou. Se assim for, “esse não é o consenso que serve ao País e em que o PS pode participar”.

 

A terminar, Silva Pereira deixou um alerta a Seguro. “Um ciclo político só termina quando a bandeira da esperança muda de mãos”. E se “já é claro que a bandeira da esperança não está nas mãos deste Governo”, o PS deve “ter a consciência que haverá ainda muitos portugueses que não estão certos que a bandeira esteja nas mãos do PS”.

É por isso que o PS deve “construir uma alternativa credível e apresentá-la ao País”. “O que faremos neste congresso é fazer a afirmação perante o País de unidade, de alternativa, em que os portugueses podem confiar”.

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