Política Soares dos Santos: PS comete um “crime” se não entrar num governo ou participar num acordo de governação

Soares dos Santos: PS comete um “crime” se não entrar num governo ou participar num acordo de governação

Presidente da Jerónimo Martins diz que não há democracia em Portugal e que nesta altura os partidos devem ter “uma única coisa em mente: o bem-estar do povo e o do nosso País”, para que seja encontrada uma solução “nos próximos dias”.
Soares dos Santos: PS comete um “crime” se não entrar num governo ou participar num acordo de governação
Nuno Carregueiro 11 de julho de 2013 às 22:24

Alexandre Soares dos Santos apoia a proposta do Presidente da República da existência de um “compromisso de salvação nacional” entre os partidos do arco da governação, apelando ao PS que entre nesse acordo.

 

“Se o PS não entrar no governo, ou não participar num acordo de governação, está a cometer um crime e não pode vir cá dizer que quer isto e quer aquilo”. Se recusar esse acordo “não tem direito a nada, porque na altura [que era importante] não se interessou por nós”, disse o presidente da Jerónimo Martins em entrevista à RTP.

 

Para Soares dos Santos, o PS não vai aceitar o repto lançado por Cavaco Silva se não entrar no Governo. Por isso, apelou a António José Seguro, Passos Coelho e Paulo Portas que se sentem os três, “não com os seus egos e egoísmos”, mas pensado que “vamos resolver este problema”, tendo “uma única coisa em mente: o bem-estar do povo e o do nosso País”.

 

O líder da Jerónimo Martins considera que Cavaco Silva mostrou “bom senso” na proposta que apresentou na quarta-feira, pois fez um “fez aviso à navegação: estou a perder a paciência”, mostrando estar “consciente da gravidade da situação financeira” do País e que se houver eleições antecipadas “estamos tramados”.

 

“Pela primeira vez nos últimos tempos senti-me feliz a ouvir um Presidente da República”, disse o empresário, considerando que Cavaco Silva já deveria ter feito este apelo “há mais tempo”.

 

Solução nos próximos dias

 

Soares dos Santos apelou a que seja encontrada uma “solução nos próximos dias” e criticou apenas Cavaco Silva por este ter colocado um prazo para um próximo Governo, até Junho de 2014, pois “se estiver a governar bem, não há razão para eleições antecipadas”.

 

“Tem que haver solução” para a actual crise política, “em que pessoas de grande categoria moral aceitem contribuir para o bem deste país”, disse Soares dos Santos, acrescentando que o Presidente da República tem “toda a legitimidade” para procurar essas pessoas que façam parte da solução.

 

Apesar de mostrar optimismo quanto à possibilidade de ser encontrada uma solução, Soares dos Santos acredita que um segundo resgate “está aí de qualquer maneira”, pois a actual crise provoca “quebra de vendas e subida de juros nos mercados”.

 

Na entrevista à RTP, Soares dos Santos comentou o pedido de demissão de Paulo Portas, afirmando que o compreende, pelo facto de o líder do CDS, “um político de grande qualidade”, não ser o número dois do Governo. “Diria que posso compreender a demissão”, pois “não estava contente” no Governo. Mas “não posso entender” a decisão posterior, relacionada com o acordo entre o CDS e o PSD, pois deveria ter sido alcançado antes do pedido de demissão.

 

Considerando que este governo é melhor do que o anterior, Soares dos Santos criticou o facto de “comunicar pessimamente” e lamentou o facto de ter “todo o mundo contra” ele. “Este governo não conseguiu dar a volta porque a media está completamente manipulada”, acusou Soares dos Santos, afirmando que a maioria da imprensa portuguesa é de esquerda.

 

Não há democracia em Portugal

 

Na parte inicial da entrevista, Soares dos Santos afirmou não acreditar que “haja democracia em Portugal”, pois “não há respeito pela lei, pelas instituições” e até já chamaram palhaço ao Presidente da República.

 

“Não sei se o regime democrático está a chegar ao fim, mas tem que ser consolidado”, afirmou o presidente da Jerónimo Martins, concluindo que a “sociedade civil está apática” e “alguma coisa tem que acontecer”.

 

Soares dos Santos voltou a falar da falta de democracia em Portugal na parte final da entrevista, sendo que não afastou a possibilidade de um golpe de Estado no País. “Aconteceu na Alemanha”, na altura da escalada do desemprego e da inflação, lembrou.

 

Na mesma entrevista, Soares dos Santos classificou os responsáveis da troika de “conjunto de senhores que não tem o mínimo de sensibilidade humana”.

 




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