Política Sondagem: familiares no Governo, não. Nas empresas privadas, sim

Sondagem: familiares no Governo, não. Nas empresas privadas, sim

Se a maioria dos portugueses condena as ligações familiares nos gabinetes dos ministros, o mesmo já não sucede nas nomeações familiares feitas dentro das empresas privadas.
Sondagem: familiares no Governo, não. Nas empresas privadas, sim
Manuel Esteves 12 de abril de 2019 às 09:00

Os números não deixam margem para dúvidas: a maioria dos portugueses vê com maus olhos as ligações familiares nos gabinetes dos ministros. Segundo a sondagem da Aximage feita para o Negócios e para o Correio da Manhã, 63% dos inquiridos consideram que esta situação tem uma gravidade "muito grande" (32,1%) ou "grande" (30,7%). A resposta "assim-assim" recolhe a preferência de 15,5% dos eleitores e só 20% dizem que tem uma importância "pequena" ou "muito pequena". 

Mas se os portugueses se mostram críticos sobre a escolha de familiares para gabinetes ministeriais, o mesmo já não acontece nas empresas privadas. Segundo a Aximage, só 24,2% acham que tem uma gravidade "muito grande" (5,7%) ou "grande" (18,5%). A maioria (51,6%) entende que a gravidade é "pequena" ou "muito pequena".

Sem surpresa nestes temas muito politizados, a avaliação dos eleitores é muito diferente consoante a sua preferência partidária. Os eleitores à esquerda desvalorizam a polémica, aos contrário dos de direita que se mostram mais críticos.

Segundo a desagregação feita pela Aximage, são sobretudo os eleitores dos partidos da direita – que têm sido muito críticos do governo nesta matéria – que se mostram mais indignados com o caso das nomeações cruzadas de familiares para os gabinetes dos ministros. Dos eleitores que admitem votar no PSD, 86% considera que este caso tem uma "gravidade muito grande" ou "grande", percentagem que é de 90,1 no caso dos votantes no CDS. Já nos partidos à esquerda, que suportam este governo no Parlamento, aquela percentagem desce para 65,4% no caso do Bloco de Esquerda, 37,9% na CDU e 28,6% no PS.

Curiosamente, quando a questão das nomeações de familiares se coloca nas empresas privadas, as divergências entre os partidos desaparecem. Só 27,5% e 28,3% dos eleitores do PSD e CDS atribui uma "gravidade muito grande" ou "grande" nestes casos. Nos partidos mais à esquerda, os valores são idênticos: 30,8% no caso do Bloco e 26,6% no caso da CDU. Apenas os eleitores do PS se mantêm mais relutantes em condenar esta prática, também nas empresas privadas: só 15,6% considera que a nomeação de familiares para posições de relevo nas empresas privadas é grave ou muito grave. 

Ficha técnica

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel. 
Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 602 entrevistas efectivas: 293 a homens e 309 a mulheres; 58 no Interior Norte Centro, 79 no Litoral Norte, 107 na Área Metropolitana do Porto, 112 no Litoral Centro, 167 na Área Metropolitana de Lisboa e 79 no Sul e Ilhas; 98 em aldeias, 164 em vilas e 340 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.
Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 30 e 31 de Março e 1 de Abril de 2019, com uma taxa de resposta de 74,7%.
Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 602 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 4,00%).
Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.








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