Política Onde se centraram os discursos nas últimas três tomadas de posse?

Onde se centraram os discursos nas últimas três tomadas de posse?

Em 2011, Passos estreava-se como primeiro-ministro e falava em confiança, mudança e responsabilidade. No discurso de sexta-feira, 30 de Outubro, o primeiro-ministro focou-se no compromisso e reconheceu o trabalho do país.
Onde se centraram os discursos nas últimas três tomadas de posse?
Liliana Borges 30 de outubro de 2015 às 22:49

Quais foram as palavras mais utilizadas pelo Presidente da República e pelo primeiro-ministro no discurso de tomada de posse do XX Governo? E quais foram os seus discursos em 2011? O Negócios analisou os discursos da tomada de posse dos XIX e XX governos e o que mudou nas palavras dos dois políticos em quatro anos.

Do XIX para o XX Governo, Passos Coelho renovou o seu cargo de primeiro-ministro utilizando expressões mais focadas no reconhecimento do "trabalho" e "esforço" dos portugueses, num discurso virado para o "futuro" e para os "compromissos", nacionais e internacionais. Um discurso que deixa perceber as diferenças do início do seu mandato em 2011, quando o seu parecer se centrou na necessidade de "mudança" e na "confiança" e "responsabilidade" que tinham sido depositadas no XIX Governo. Em 2011, Passos pedia poupança e apontava problemas.


Há quatro anos, o primeiro-ministro antecipou uma viagem "por mares nunca dantes navegados", expressão que voltou a "roubar" a Luís de Camões no discurso da tomada de posse do XX Governo, nesta sexta-feira, 30 de Outubro. Em 2011, Passos dizia "saber" que Portugal não falharia. No discurso de sexta-feira, recuperou as suas palavras e concluiu: "não falhou".

Presidente da República também indigitou Sócrates em Governo minoritário

Em 2009, Cavaco Silva deu ao Governo minoritário de José Sócrates "plena legitimidade constitucional para governar" por considerar que era "Presidente de Portugal inteiro", validando assim o partido mais votado. Agora, indigitou Passos Coelho, cuja coligação não conseguiu maioria absoluta, dizendo que "a responsabilidade de formar Governo foi sempre atribuída a quem ganhou as eleições".

No discurso desta sexta-feira, Cavaco Silva convergiu com Passos Coelho na questão dos "compromissos", falando da União Europeia e repetindo mais vezes a palavra "República". Cavaco começou por recordar o seu discurso de 2009, onde dava ao Governo minoritário de José Sócrates "plena legitimidade constitucional para governar". Já em 2011, o discurso do Presidente da República que acompanhou a tomada de posse de Passos Coelho focava-se mais no "cumprimento" de metas e nos "sacrifícios" e "compromissos" que teriam de ser feitos pelos portugueses. Agora, o Presidente da República centrou-se na "responsabilidade" e estabilidade política.

Em 2009, no discurso de tomada de posse do segundo mandato de José Sócrates, Cavaco Silva afirmava: "tenho mantido, ao longo do meu mandato, uma rigorosa imparcialidade perante as diversas forças políticas", relembrando que "sou e serei o Presidente de Portugal inteiro". 

 

"Nunca faltei à palavra dada e aos compromissos que assumi, em público ou em privado. É exactamente essa a atitude que terei perante o Governo que agora toma posse. Não me afastarei um milímetro do compromisso que assumi perante os Portugueses e, por isso, este Governo pode contar com a cooperação do Presidente da República. Porque conheço as dificuldades que tem de enfrentar um governo minoritário, porque conheço bem as dificuldades que um Presidente da República pode colocar a um Governo, serei sempre um referencial de estabilidade", sublinhava na altura.


Agora, no discurso desta sexta-feira, Cavaco sublinhou que se exige ao Governo que "respeite os compromissos assumidos pelo Estado português" e a sua permanência "nas organizações de defesa e segurança colectiva de que fazemos parte".

"
Tive presente (…) que, até ao momento da indigitação do primeiro-ministro, não me foi apresentada, por parte das outras forças políticas, uma solução alternativa de Governo estável, coerente e credível. O Governo que hoje toma posse não dispõe de apoio maioritário no Parlamento. Por isso, e na senda dos contactos estabelecidos após o acto eleitoral, deve prosseguir o esforço de diálogo e compromisso com as demais forças partidárias, buscando os entendimentos necessários à salvaguarda do superior interesse nacional", salientou o chefe de Estado.



As palavras mais usadas em cada discurso






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