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Vídeo: Oposição diz que Governo empobreceu o país

Os partidos da oposição consideram que o Governo podia ter feito "muito diferente e muito melhor" numa sessão legislativa "manchada pela 'troika'", com políticas que estão a destruir a economia, o emprego e a retirar direitos.

Lusa 23 de Julho de 2012 às 11:48
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Foi um ano mau, um ano em que o Governo fez tudo ao contrário do que tinham sido as linhas fortes da sua campanha eleitoral, que se baseou numa alternativa que se fundamentava no desenvolvimento sustentável e no rigor", afirmou à agência Lusa o líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho (na foto), num balanço da primeira sessão legislativa.

O presidente da bancada socialista acusou o Governo de ter substituído as suas promessas de campanha por uma "tecnoideologia" que levou o país "a uma espiral recessiva, a um aumento brutal do desemprego, a um enfraquecimento da economia e a um empobrecimento geral da sociedade" e considerou que era possível ter feito "muito diferente e muito melhor".

Zorrinho assinalou que da parte do PS houve sempre "uma linha de responsabilidade" da qual o Governo "se foi afastando cada vez mais". O socialista disse que "este é um Governo que não transmite confiança e não tem confiança em si próprio", e que "só quem não tem os olhos abertos" é que não vê que sofreu neste ano "um desgaste absolutamente inusitado", mas não respondeu directamente sobre se o executivo vai cumprir o mandato.

"Essa questão compete fundamentalmente à avaliação do senhor Presidente da República e o Governo do ponto de vista formal tem todas as condições para cumprir o mandato, se as tem do ponto de vista político é uma questão que compete essencialmente analisar ao próprio Governo e ao Presidente", disse.

Já o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares (na foto), foi taxativo: "Acho que não".
"Acho que o desgaste do Governo é cada vez maior e que é preciso de uma vez por todas alterar esta política, as pessoas não estão contentes, não vão continuar a estar e ao contrário do que é dito não aceitam pacificamente esta política", afirmou.

O líder da bancada comunista aponta a moção de censura apresentada pelo PCP ao Governo como o momento mais importante do ano parlamentar, porque "corporizou a grande revolta das pessoas", mas também a proposta sobre a renegociação da dívida, que "continua a ser indispensável".

"O Governo diz que está consciente das consequências [das suas políticas], nalguns casos tenho dúvidas, mas diz que não há alternativa, e essa é que é a grande falsidade que está em curso, há de facto alternativas, há sempre e neste caso também há", defendeu. Bernardino Soares advertiu que "as pessoas não estão disponíveis para viver cada vez pior" e que é precisa "uma nova política" de redistribuição da riqueza, de produção e mais justiça social, "que virá mais tarde ou mais cedo".

O líder do grupo parlamentar do BE, Luís Fazenda (na foto), faz um balanço "forçosamente negativo" de um ano "de diminuição de rendimento, aumento de impostos, corte nos serviços públicos" e da "atitude humilhante de cortes inconstitucionais aos subsídios de férias e de Natal".

A sessão legislativa fica "manchada" pela 'troika', disse Fazenda, mas houve momentos de "luta e alternativa" da oposição, como o pedido de inconstitucionalidade dos cortes de subsídios, aprovação de propostas como a prescrição médica por substância activa ou as comissões de inquérito ao BPN e às parcerias público-privadas.

O bloquista enalteceu o recurso ao Tribunal Constitucional, que "demonstrou que há, apesar de tudo, no ordenamento constitucional, algumas formas de luta que podem ser eficazes, a luta dos cidadãos, dos sindicatos, das plataformas".

Heloísa Apolónia (na foto), deputada do PEV, defendeu que "era possível fazer diferente" e que "não era preciso" Portugal submeter-se ao memorando elaborado com a 'troika', que acusou de não ter "preocupação concreta com as pessoas, mas única e exclusiva com números".

"O povo e as nossas empresas estão à espera de ser chamados para redinamizar o mercado interno, o que o Governo está a fazer é exactamente o contrário, é a afastá-las, a chutá-las, a mandá-las para fora", criticou.

A deputada ecologista acusou o Governo de ter "mentido muito durante a campanha eleitoral" e de "iludir eleitores" e vê-o actualmente "fragilizado na sua forma"."O que gostaríamos de facto é que o Governo percebesse que estamos no caminho errado, que está a levar-nos para o abismo e que é tempo de recuar, mas para isso é preciso políticas diferentes", concluiu.


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