Eleições Ada Colau: "Terá de haver algum limite de turistas em Barcelona"

Ada Colau: "Terá de haver algum limite de turistas em Barcelona"

Ada Colau, que se prepara para liderar o município de Barcelona, admite impor limites ao número de turistas na cidade. "Se não nos queremos tornar numa Veneza, algum limite de turistas terá de haver em Barcelona".
Ada Colau: "Terá de haver algum limite de turistas em Barcelona"
Albert Gea/Reuters
Negócios 01 de junho de 2015 às 13:24

Ada Colau tornar-se-á a primeira presidente da câmara de Barcelona, depois de a formação política da activista social, Barcelona en Comú,  ter angariado mais 14.000 votos do que o partido pro-Catalão de Xavier Trias. A caminho do poder, Ada Colau levanta o véu sobre algumas das medidas para a cidade, entre elas, a possível imposição do limite de turistas e um travão à construção de novos empreendimentos turísticos.

 

"Se não nos queremos tornar numa Veneza, algum limite de turistas terá de haver em Barcelona", diz Ada Colau em entrevista ao El Pais, explicando que se está a trabalhar no sentido de se fazer um plano estratégico para o turismo que envolva todos os actores envolvidos.

 

Segundo Ada Colau, "a situação está fora do controlo nos lugares com maior afluência de turistas" pelo que se impõe "aplicar uma moratória sobre novos hotéis e recintos turísticos, fazer um censo, e adoptar uma política preventiva (...). Há que ter uma política de turismo ponderada".

 

Esta moratória será geral, podendo converter-se mais tarde em parcial, e poderá ser aplicada nos primeiros seis meses de governação.

 

Quando questionada sobre quem a deve temer, Ada Colau é clara: "Não gosto de sentir medo, nem dar medo a ninguém. No entanto, pedimos igualdade de oportunidades para todos, algo que não tem havido nos últimos anos. Apenas devem temer-me os corruptos e os grandes especuladores, que atentam contra o bem comum".

 

É com o foco no bem-comum que a responsável política esclarece que irá trabalhar com as grandes empresas no sentido de haver uma maior contribuição das mesmas para o desenvolvimento da cidade.

 

"Agora temos grandes empresas com benefícios que não revertem para a cidade, mas que são levados para o estrangeiro e para paraísos fiscais, enquanto aqui geram emprego precário. Em resumo,  maior liderança pública para impulsionar o modelo de cidade que queremos".

 

Ada Colau acrescentou ainda que não está em causa a suspensão de contractos que permitem a manutenção dos serviços públicos, mas que serão revistas grandes adjudicações, como a licença de hotelaria do Deutsche Bank ou a adjudicação da marina de luxo de Port Vell. A cabeça de lista da Barcelona en Comú  disse também que serão feitas "auditorias aos organismos sob os quais recaem suspeitas de falta de transparência".

 

No que diz respeito ao futuro político na região e o pedido da ERC para que Ada Colau se comprometa com a independência da região, esta esclarece que está disposta a levar esta questão a consulta pública, talvez ainda este ano, mas que se deve aguardar o resultado das eleições autonómicas na Catalunha, agendadas para 27 de Setembro.

 

Quando questionada sobre uma possível impugnação desta consulta pública, Ada Colau refere que "se for necessário desobedecer-se a leis injustas, desobedece-se".

 

Ada Colau ainda não convocou um encontro com Mariano Rajoy, mas adianta que leva em carteira os seguintes pedidos: que priorize a inversão de Cercanías, que agilize as obras de La Sagrera e os acessos ao porto.

 

No que diz respeito às difíceis relações com Artur Mas, Alda Colau diz-se disposta a recomeçar: "Eu acho que o mayor de Barcelona e presidente da Generalitat deve ter as melhores relações possíveis, pois estão vinculados por mandato dos cidadãos, à margem dos partidos".

 

Sobre as desavenças com as forças de segurança, Ada Colau diz reconhecer o trabalho desta entidade e apoiar as forças de segurança, alertando que não se pode "colocar todos no mesmo saco" e que a formação política se reuniu com agentes empenhados em melhorar o serviço de segurança na cidade. Todavia, face a casos graves de más práticas, Alda Colau considera fundamental rever o modelo de funcionamento da Guarda Urbana no sentido de promover um foco maior um policiamento de proximidade  e de mediação, em vez de uma autoridade repressiva.

 

Houve ainda espaço, nesta entrevista, para questionar sobre a  candidatura Olímpica Barcelona-Pirenéus, que, esclarece Alda Colau, será retirada porque o modelo sobre o qual está construída não gera consenso.

 

Barcelona viveu um terramoto nas eleições municipais espanholas: a candidata sensação, Ada Colau, roubou o poder aos nacionalistas. Barcelona en Comú, uma coligação formada pela Iniciativa, Esquerra Unida e Podemos, entre outros, ganhou as eleições, mas ainda deverá estabelecer acordos com o ERC e o PSC. 




pub

Marketing Automation certified by E-GOI